O governo federal já gastou R$ 278,3 bilhões durante o ano eleitoral de 2026. É o que indica, o Gastômetro, ferramenta do Estadão que monitora os desembolsos do governo federal.
Com quase R$ 300 bilhões em gastos, a renúncia de receitas, ou seja, impostos que deixaram de ser cobrados, alcançou o valor de R$ 43,8 bilhões com cinco medidas, incluindo a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR). Esse é o segundo maior gasto do governo após os créditos e subvenções.
Além disso, o terceiro maior gasto do governo Lula é com programas fora do Orçamento 2026. Por meio de sete medidas diferentes, o Executivo desembolsou R$ 34,8 bilhões além do orçamento definido pelo Congresso Nacional ainda em 2025.
A ferramenta reúne medidas lançadas pelo governo federal com gastos efetivamente autorizados no Orçamento da União e, em caso de programas fora do Orçamento, iniciativas implementadas por atos oficiais.
De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), os gastos não são eleitorais, mas ações indispensáveis para manter jovens na escola, combater o crime organizado, proteger empregos e empresas, conter pressões sobre preços e enfrentar calamidades em um ano de El Niño forte.
As receitas que o governo rejeitou
Dos R$ 43,8 bilhões renunciados pelo governo, os valores foram distribuídos em cinco medidas:
- Isenção e desconto no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7 mil por mês: R$ 31,8 bilhões
- Isenção PIS/COFINS Diesel: R$ 6,7 bilhões
- Redução PIS/COFINS indústria química: R$ 3 bilhões
- Revogação da taxa das blusinhas: R$ 1,9 bilhões
- Isenção PIS/COFINS Biodiesel e QAV: R$ 0,4 bilhões
Boa parte dessa renúncia veio da ampliação da faixa isenta do IR. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou no final de novembro a lei e criou uma cobrança mínima para contribuintes de renda mais alta. A medida passou a valer neste ano.
A faixa de isenção do tributo passou de quem recebia até R$ 3.036 para aqueles com salários de até R$ 5 mil. Além disso, quem possui renda mensal de até R$ 7.350 terá desconto gradual no imposto. Para os que recebem acima desse valor, a tabela segue progressiva, com as seguintes alíquotas:
- 7,5%
- 15%
- 22,5%
- 27,5%
A compensação será realizada com o aumento da contribuição pela população de alta renda que, hoje, recolhe alíquota efetiva de 2,5% dos seus rendimentos totais, em média. Dessa forma, rendas acima de R$ 600 mil anuais (R$ 50 mil mensais) terão uma alíquota progressiva de até 10% apenas para lucros e dividendos acima desse valor.
Os programas fora do Orçamento
Já entre as sete medidas que sobressaem ao Orçamento estabelecido pelo Congresso Nacional, estão:
- Desenrola Brasil – Renegociação do FIES: R$ 12 bilhões
- Crédito Indústria 4.0: R$ 7 bilhões
- Desenrola Brasil – Dinheiro esquecido nos bancos: R$ 5 bilhões
- Aumento de capital da Finep: R$ 3,5 bilhões
- Crédito para Bens de Capital Verdes: R$ 3 bilhões
- Financiamento para reformas de casas: R$ 2,3 bilhões
- Desenrola Brasil – Uso recursos disponíveis FGO: R$ 2 bilhões
O Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas, foi um dos principais gastos do governo fora do Orçamento. A frente do programa que mais exigiu recursos do governo envolveu a renegociação de dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

