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Justiça

Flávio Bolsonaro falou com Vorcaro cinco vezes em setembro

Registros permitem reconstruir momentos específicos da relação entre e o senador e o banqueiro

Flávio Bolsonaro falou com Vorcaro cinco vezes em setembro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro conversaram por telefone pelo menos cinco vezes em setembro de 2025, segundo levantamento publicado nesta terça-feira (18) pelo jornalista Paulo Motoryn.

Os registros indicam quem iniciou as chamadas, a duração dos contatos e a sequência das conversas com as mensagens trocadas entre os dois durante as negociações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.

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A notícia acrescenta novos detalhes à relação entre Flávio e Vorcaro. Até então, as informações divulgadas publicamente já mostravam pedidos de recursos, cobranças e mensagens sobre o projeto.

Agora, os registros telefônicos permitem reconstruir momentos específicos em que os dois deixaram o WhatsApp e conversaram diretamente por telefone.

Ligações aconteceram em meio à negociação dos valores

A chamada mais longa identificada ocorreu em 8 de setembro de 2025. Flávio ligou para Vorcaro às 22h12, logo depois de enviar um áudio de 1 minuto e 31 segundos cobrando uma definição sobre os recursos destinados ao filme.

Antes da ligação, o senador escreveu que preferia enviar um áudio para que o banqueiro pudesse ouvi-lo com calma. Vorcaro respondeu que havia enfrentado uma semana difícil e prometeu resolver a situação no dia seguinte. Na sequência, Flávio fez a ligação, que durou 2 minutos e 38 segundos.

O conteúdo da conversa telefônica não aparece nos documentos analisados por Motoryn. Por isso, não é possível afirmar o que os dois discutiram durante os minutos em que permaneceram ao telefone.

O registro, entretanto, coloca a chamada dentro de uma sequência de mensagens sobre dinheiro e sobre a continuidade das negociações do Dark Horse.

A reportagem de Motoryn ressalta ainda que os cinco telefonemas identificados representam um número mínimo, já que parte dos contatos pode ter ocorrido pela rede telefônica convencional e não ficou registrada no histórico do WhatsApp.

24 de setembro concentrou três chamadas

Outro momento relevante ocorreu em 24 de setembro. Naquele dia, Flávio ligou três vezes para Vorcaro: às 13h38, por 45 segundos; às 17h46, por 25 segundos; e às 22h, por 1 minuto e 50 segundos.

A última ligação aconteceu depois de uma conversa sobre um possível encontro presencial em Brasília. Vorcaro informou que precisaria permanecer em São Paulo e perguntou sobre a possibilidade de os dois se encontrarem na semana seguinte. Flávio respondeu que estaria disponível, e o banqueiro sugeriu uma reunião para quarta-feira, às 14h30.

Logo depois da troca de mensagens, os dois conversaram por telefone durante 1 minuto e 50 segundos. Os registros não comprovam que o encontro posteriormente ocorreu.

Motoryn também destaca que o único encontro presencial entre Flávio e Vorcaro confirmado pelo senador ocorreu em novembro de 2025, quando o empresário já havia sido preso e utilizava tornozeleira eletrônica.

Outro dado apresentado pelo jornalista envolve os valores transferidos para os Estados Unidos. O material inicialmente divulgado indicava US$ 10,6 milhões (R$ 55,20 milhões) enviados ao Texas. Posteriormente, segundo Motoryn, um relatório do Coaf apontou US$ 12,3 milhões (R$ 64,05 milhões), uma diferença de US$ 1,7 milhão (R$ 8,85 milhões).

Movimentações financeiras já estavam no radar

O Brasilianista mostrou que duas notas fiscais somaram R$ 1 milhão em movimentações entre o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro e empresas relacionadas ao grupo de Daniel Vorcaro.

Uma das notas, no valor de R$ 500 mil, foi emitida para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e cancelada no mesmo dia. Outra, também de R$ 500 mil, foi destinada à Contábil Correa e não foi cancelada.

A movimentação acrescentou um elemento diferente à relação entre o senador e o banqueiro. Até então, o caso estava principalmente associado às negociações para financiar o Dark Horse.

As notas indicaram uma movimentação empresarial distinta, envolvendo o escritório ligado a Flávio e empresas que aparecem no contexto das investigações sobre o Banco Master.

A reportagem ressaltou que a existência dos contratos e das transações, isoladamente, não configura crime. As informações, porém, podem ser objeto de investigação.

Pedidos de dinheiro já eram conhecidos

O Brasilianista informou que mensagens e áudios já haviam registrado pedidos de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro durante as negociações para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

A publicação também registrou que cerca de R$ 61 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 a partir da conta de Vorcaro, a pedido do senador.

Flávio confirmou posteriormente que procurou investidores privados para financiar a produção, embora tenha negado qualquer irregularidade.

O Brasilianista também registrou que declarações de Valdemar Costa Neto apresentaram outra versão sobre a relação entre Flávio e o banqueiro.

Segundo o presidente do PL, o senador teria procurado Vorcaro para tentar obter o restante do dinheiro relacionado ao financiamento do filme.

O Brasilianista destacou que Flávio Bolsonaro mudou sua versão sobre a relação com Vorcaro depois da divulgação de mensagens, áudios e documentos relacionados ao Dark Horse.

Inicialmente, o senador classificou como mentira as informações sobre sua ligação com o banqueiro. Depois, reconheceu que havia procurado investidores privados para viabilizar o filme e afirmou que sua participação se restringia à busca de financiamento.

Foto também entrou no caso

O Brasilianista revelou que uma fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, também passou a ser relacionada ao contexto do Banco Master.

Segundo a publicação, Mourão foi apontado pela Polícia Federal como integrante da estrutura investigada no caso envolvendo Vorcaro. A reportagem ressaltou, porém, que uma fotografia não comprova, por si só, envolvimento ilícito de Flávio.

O Brasilianista apontou que Flávio Bolsonaro apresentou versões diferentes sobre a fotografia ao lado de Sicário.

Inicialmente, o senador afirmou que a imagem poderia ser apenas um registro feito com uma pessoa que o abordou. Posteriormente, passou a sustentar que a fotografia teria sido manipulada por inteligência artificial.

A mudança ocorreu depois que a imagem passou a circular nas redes sociais. A publicação também registrou que os veículos responsáveis pela divulgação original afirmaram não ter encontrado evidências técnicas de adulteração.

Defesa negou relação com Sicário

O Brasilianista informou que a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou desconhecer a fotografia e negou que o senador conhecesse Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão.

A pré-campanha também declarou que não sabia quando ou onde a imagem havia sido produzida e levantou a possibilidade de uso de inteligência artificial.

Motoryn também questiona a ausência de notas fiscais e documentos que permitam detalhar a aplicação dos recursos destinados ao Dark Horse.

Até a publicação da análise de Motoryn, a assessoria de Flávio Bolsonaro não havia respondido aos questionamentos sobre o contexto das ligações nem apresentado os documentos de prestação de contas solicitados pelo jornalista.

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