As interpretações em relação à inteligência artificial (IA) são distintas a depender dos países. Em geral, Ásia — com exceção do Japão — e América Latina são mais otimistas, enquanto Europa e países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido são mais céticos e mais “nervosos” com a tecnologia.
O Índice de IA da Universidade de Stanford mostra que a China é o país que está mais otimista em relação à IA, com 83% dos entrevistados apontando entusiasmo com a solução. Uma grande maioria acredita que os produtos e serviços baseados em IA oferecem mais benefícios do que desvantagens, como também é o caso da Indonésia (80%) e Tailândia (77%).
Em contraste, apenas uma minoria compartilha dessa visão no Canadá (40%), nos Estados Unidos (39%) e na Holanda (36%).
O otimismo dos países asiáticos acontece pela maior gama de oportunidades que a IA passou a proporcionar, apesar dos riscos de golpes e deepfakes que tanto se preocupam, por exemplo. Por outro lado, os americanos, que passaram a última década ajudando fortemente a financiar as redes sociais e concentração de poder no setor tecnológico, são os mais receosos com a proteção de dados e uma desaceleração do desenvolvimento da IA.
Em todo o mundo, dois terços das pessoas acreditam que produtos e serviços com inteligência artificial terão um impacto significativo no dia a dia nos próximos três a cinco anos. Ao mesmo tempo, o ceticismo em relação à conduta ética das empresas de IA está crescendo, enquanto a confiança na imparcialidade da IA está diminuindo.
Ainda de acordo com o estudo, globalmente, a confiança de que as empresas de IA protegem os dados pessoais caiu de 50% em 2023 para 47% em 2024. Da mesma forma, menos pessoas acreditam que os sistemas de IA são imparciais e livres de discriminação em comparação com o ano passado. Esse comportamento impulsiona o apoio à regulamentação da IA entre os legisladores locais.
A IA é vista como uma forma de economizar tempo e impulsionar o entretenimento, mas ainda existem dúvidas sobre seu impacto econômico. Embora 55% acreditem que ela economizará tempo e 51% esperem que ofereça melhores opções de entretenimento, poucos estão confiantes em seus benefícios para a saúde ou para a economia. Apenas 38% acham que a IA melhorará a saúde, enquanto 36% pensam que ela melhorará a economia nacional, 31% veem um impacto positivo no mercado de trabalho e 37% acreditam que ela aprimorará seus próprios empregos.
Brasil e Malásia, por exemplo, tiveram as quedas médias mais acentuadas em confiança e entusiasmo, puxadas principalmente pela desconfiança sobre proteção de dados.
O avanço do socialismo democrático nos EUA
O pessimismo americano com a IA não acontece por acaso. A menos de 90 dias das eleições de meio de mandato, a principal preocupação dos eleitores se refere à economia do país e a insegurança financeira que muitos estão passando.
Por esse motivo, muitos eleitores mais jovens estão aderindo ao socialismo democrático, pensando especialmente em como o avanço da IA pode comprometer os empregos desses americanos. É o que indica uma pesquisa da CNBC em parceria com a Generation Lab, revelando que 46% dos americanos entre 18 e 34 anos agora têm uma visão “favorável” ou “muito favorável” do socialismo democrático.
Essa corrente política visa a união entre a justiça social do socialismo e o respeito às regras da democracia representativa e participativa.
De acordo com a pesquisa, a inteligência artificial representa uma parcela crescente da economia — e do pessimismo com o futuro dos EUA para esse grupo de jovens. Quase metade dos entrevistados, 45%, acredita que a IA terá um impacto negativo em suas carreiras, enquanto 10% acreditam que ela os ajudará.
Outros 40% disseram acreditar que o governo federal deve estabelecer regras para a IA, enquanto 36% acreditam que um órgão independente de especialistas deve definir as regras do jogo. Apenas 8% disseram que a IA não deve ser regulamentada. A maioria, 60%, acredita que a construção de data centers deve ser desacelerada, enquanto 15% são a favor de acelerá-la.
Os entrevistados também apontaram que a confiança em nove figuras-chave da indústria de IA para agir de forma responsável com a tecnologia está baixa. Cerca de 65% dos entrevistados afirmaram não confiar no CEO da Microsoft, Satya Nadella. O CEO da Palantir, Alex Karp, por sua vez, obteve a pior pontuação: 81% disseram não confiar nele.
Aproximadamente 75% dos entrevistados disseram não confiar no CEO da Alphabet, Sundar Pichai, e uma porcentagem semelhante disse não confiar no CEO da Anthropic, Dario Amodei. O CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o CEO da SpaceX, Elon Musk, obtiveram pontuações semelhantes, com cerca de 70% dos entrevistados afirmando não confiar neles.

