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Economia

Os acordos comerciais do Brasil

O país possui cerca de 30 tratados com outros países

Os acordos comerciais do Brasil

O Brasil é uma importante figura nas relações diplomáticas e também comerciais ao redor do mundo. Como um dos mercados emergentes mais relevantes do comércio exterior, diversos países e blocos buscam comprar e vender produtos com o Brasil.

O país possui mais de 30 acordos comerciais com outros blocos ou nações — sejam eles consolidados ou em fase de negociação.

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O Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai é o alicerce sobre o qual quase todos os outros acordos comerciais brasileiros são construídos. Hoje, todo o universo tarifário está em livre comércio dentro do bloco, com exceção dos setores automotivo e açucareiro.

Como o Mercosul é uma união aduaneira, o Brasil delegou ao bloco a competência para negociar acordos comerciais tarifários com países ou blocos de fora da América Latina. É por este motivo que grandes tratados internacionais, como o acordo com a União Europeia, são celebrados em conjunto pelo Mercosul. Porém, o país pode manter acordos bilaterais isolados em áreas fora da política tarifária comum ou parcerias restritas firmadas de forma autônoma.

Acordos regionais e extra-regionais

O país também integra acordos comerciais com organismos como a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), que reúne Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela.

Outros contratos do Mercosul com Índia, Israel, Egito e a União Aduaneira da África Austral (SACU), além de Cuba também contam como parcerias com o Brasil. Nesses casos, esses acordos extra-regionais abrem mercados de alto potencial (caso da Índia) ou alto poder aquisitivo (caso de Israel), mas ainda com volume de comércio limitado perto dos parceiros mais recentes.

Os tratados recém-assinados, em ratificação ou implementação

O Brasil concluiu a ratificação dos acordos do Mercosul com EFTA e Singapura em junho deste ano, com depósito dos instrumentos junto ao governo do Paraguai. O acordo com a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, garante acesso livre a quase 99% do valor exportado pelo Brasil ao bloco, com eliminação de tarifas para praticamente todos os produtos industriais e pesqueiros e abertura de cotas agrícolas para carnes, milho, mel e óleos vegetais.

Em 2025, a corrente de comércio Brasil-EFTA somou US$ 7,8 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 3,8 bilhões — alta de 22,9% sobre 2024.

Já o acordo com Singapura, assinado em dezembro de 2023, entrou em vigor em 1º de agosto de 2026 e garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras ao país asiático. Esse é o primeiro tratado do Mercosul com um país do Sudeste Asiático e inclui o primeiro capítulo de comércio eletrônico já negociado pelo bloco com um parceiro extrarregional.

Além disso, o acordo Mercosul-União Europeia também já foi assinado, está em vigor provisoriamente desde maio e é o maior acordo comercial já celebrado pelo Mercosul. Ele cria uma zona de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. O tratado foi dividido em dois instrumentos: o EMPA (acordo completo, que exige ratificação de todos os parlamentos nacionais europeus) e o ITA (acordo provisório de comércio), que já está em aplicação provisória desde 1º de maio de 2026. No Brasil, o Congresso promulgou o acordo em março. A corrente de comércio Brasil-UE bateu recorde de US$ 100 bilhões em 2025.

O que ainda está em negociação?

Há alguns acordos comerciais que ainda estão em negociação e incluem o Brasil, como é o caso dos tratados Mercosul-Canadá, Mercosul-Emirados Árabes Unidos, Mercosul-Indonésia, além de consultas em estágio inicial com Líbano e Tunísia.

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