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Brenno Grillo

Análise: Caso Master é o principal escândalo do setor bancário, mas não o único

Investigações sobre as fraudes do Banco Master se somaram a outros problemas vividos pelo setor bancário nos últimos anos

Briefing: BC aperta regras, governo mira combustíveis e crise bancária segue

Após a crise financeira de 2008, o sistema bancário brasileiro se tornou referência global, pois sofreu pouco com a quebra do mercado de ações. Grandes bancos sobreviveram ao choque econômico, assim como parte das instituições financeiras médias e pequenas.

Essa imagem foi construída mesmo com casos rumorosos envolvendo o setor bancário muito antes da existência do Caso Master. As fraudes do Banco Pan e a quebra do Banco Santos — para ficar em dois exemplos — fizeram o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) desembolsar quase R$ 4 bilhões para compensar as dívidas deixadas pelas instituições financeiras.

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O caso do Banco Panamericano veio à tona em 2010, com a descoberta de maquiagens contábeis para ocultar a venda de ativos fictícios que causaram um prejuízo de R$ 4,3 bilhões. A instituição financeira controlada por Silvio Santos recorreu ao FGC para não quebrar, e depois foi vendida ao BTG Pactual.

A quebra do Banco Santos foi oficialmente decretada em 2005, anos após a descoberta de esquemas para maquiar balanços e emitircédulas de produto rural (CPR) sem lastro real. O rombo deixado pelo banqueiro e colecionador de arte Edemar Cid Ferreira, fundador e controlador da instituição financeira, foi de R$ 16 bilhões.

Um atrás do outro

As investigações sobre as fraudes do Banco Master, apesar de aumentarem o teto dos rombos causados ao sistema financeiro, se somaram a outros problemas vividos pelo setor bancário nos últimos anos. Um desses episódios foi a crise envolvendo as Lojas Americanas, que colocou BTG Pactual, Daycoval e Banco do Brasil na mira da PF.

A exposição contábil das Lojas Americanas e os empréstimos tomados pela empresa com muito risco expuseram fragilidades nos sistemas de detecção de problemas das quatro maiores consultorias do mundo — as Big Four: Deloitte, PwC (PricewaterhouseCoopers), EY (Ernst & Young) e KPMG — e dos grandes bancos.

A Polícia Federal investiga se executivos de Itaú, Bradesco e Santander sabiam e agiram conjuntamente para ocultar as fraudes contábeis das Lojas Americana que garantiram um rombo de quase R$ 25 bilhões que afetou investidores e fornecedores da rede de varejo.

Em 2025, diversas fintechs e contas de passagem — conta criada numa instituição financeira unicamente para receber dinheiro e logo repassá-lo — foram alvo da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil de São Paulo (PCSP). As investigações mostraram o uso dessas empresas para lavar o dinheiro obtido do crime organizado.

Neste ano, surgiram as suspeitas de fraude envolvendo o Banco Digimais. Em junho, a PF deflagrou a Operação Miragem, e a Justiça quebrou os sigilos bancário e fiscal e bloqueou R$ 670,3 milhões em bens e valores dos investigados, incluindo o empresário Edir Macedo, controlador da instituição financeira e líder religioso na Igreja Universal do Reino de Deus.

A PF começou a investigar o Digimais após encontrar indícios de manipulação de balanços, superavaliação de ativos e ocultação da real situação financeira do banco. A apuração analisou diversas Cédulas de Crédito Bancário relacionadas ao Banco Master, à Fictor e à Reag, investigada por supostamente lavar o dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Interligados

Até o momento, o Caso Master foi o que melhor detalhou a relação entre bancos e a qualidade de parte dos investimentos oferecidos pelo mercado financeiro no Brasil. No processo sobre as fraudes do Banco Master que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), há diversos contratos de empréstimo firmados entre o BTG e a família Vorcaro.

Os empréstimos totalizam R$ 132 milhões. Nos documentos, Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique, aparecem como avalistas. A operação chamou a atenção porque Daniel Vorcaro apareceu em mensagens reclamando do dono do BTG, André Esteves, e chamando-o jocosamente de “Senhor dos Exércitos” — uma referência cristã a Deus.

As fraudes capitaneadas por Daniel Vorcaro — que contaram com ajuda da Fictor e da Reag, segundo a PF — destruíram as finanças do Banco de Brasília (BRB), que atualmente busca garantias para conseguir empréstimos junto a bancos privados e à União.

As fraudes do Master, que também envolveram institutos municipais e estaduais de previdência, drenaram quase R$ 52 bilhões do FGC, que serão usados para pagar garantias aos depositantes afetados por liquidações feitas pelo Banco Central (BC) no conglomerado do Banco Master, que inclui Banco Master, LetsBank, Will Bank e Banco Pleno.

Outros R$ 4,3 bilhões do FGC já tinham sido gastos como assistência financeira ao grupo de Daniel Vorcaro meses antes da intervenção do BC no Master, em novembro de 2025. Esse dinheiro, pago pelos bancos que atuam no Brasil, também será pago a clientes dessas instituições financeiras, pois elas também ofereceram investimentos vindos de Vorcaro.

BTG, Nubank e XP Investimentos foram processados em abril deste ano. As três instituições financeiras são acusadas de terem incentivado seus clientes a investirem em certificados de depósito bancário (CDB) do Banco Master. A ação judicial pede indenização de R$ 100 milhões.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.