A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (17) mostra detalhadamente que a estagnação das intenções de voto em Lula ou Flávio Bolsonaro é resultado do ódio de parte da população em relação a um candidato ou outro.
Um dado que se destaca no levantamento feito entre 14 e 16 de agosto é o que mostra a perda de votos de Lula e de Flávio entre os eleitores não polarizados.
O petista era visto como alternativa por 54% desse eleitorado em 30 de março, mas esse percentual caiu para 45% na pesquisa divulgada hoje.
Já Flávio era o preferido como alternativa por 50% dos eleitores não polarizados. Porém, esse resultado caiu para 36% em pouco mais de quatro meses.
A rejeição a Lula e a Flávio também impacta a certeza dos eleitores quanto aos votos. Dessa parcela do eleitorado, 78% afirmam que não mudarão de voto, enquanto outros 20% ainda cogitam essa possibilidade.
Outro efeito da rejeição é representado pelos 21% dos eleitores que têm pouco, ou nenhum, interesse nas eleições. Essa parcela do eleitorado era maior em 30 de março, quando a pesquisa registrou 26% das pessoas nesse grupo.
Porém, mesmo com a queda entre março e agosto, esse percentual ainda é alto e se torna mais preocupante quando analisado com os 6% dos eleitores que não vão votar e com os 17% que não sabem em quem votarão, segundo os dados sobre as intenções de voto espontâneas da pesquisa para o 1º Turno do pleito deste ano.
Dois lados, mesma moeda
Os dados da pesquisa BTG/Nexus são influenciados pela enxurrada de notícias de corrupção e ilegalidades cometidas por Lula, Flávio e até por Jair Bolsonaro — que influencia os votos em seu filho mais velho para o bem e para o mal.
Lula foi condenado na Lava Jato por um juiz que atuou com parcialidade, mas não foi inocentado dos crimes pelos quais foi condenado por Sergio Moro, Tribunal Regional Federal da 4ª Região (RS, PR e SC), Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal (STF) — responsável por anular as punições impostas ao petista.
O passado do Mensalão e da Lava Jato, que não abandonam o legado do petista, ganhou recentemente a companhia das denúncias sobre as fraudes bilionárias no INSS.
Lulinha, filho do presidente, é cada vez mais ligado pela Polícia Federal (PF) aos descontos ilegais que lesaram aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.
E a investigação do Escândalo do INSS ganhou desdobramentos após a descoberta de que o ex-chefe de gabinete e ex-integrante da equipe de campanha de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, que também lhe comprou joias de quase R$ 10 mil.
Sobre Flávio, há as questões nunca explicadas quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), como os pagamentos fracionados feitos a ele por Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão sem justificativa.
Ainda na Alerj, Flávio Bolsonaro também já condecorou milicianos acusados de crimes como tortura e assassinato.
Mas há também o áudio em que o candidato à Presidência pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para custear o filme Dark Horse, que contará a história de Jair Bolsonaro.
Na conversa, Flávio pede desculpas a Vorcaro por pedir dinheiro novamente, indicando que essa não foi a primeira vez que Vorcaro financiou o filme. O senador prometeu prestar contas sobre os gastos de Dark Horse, mas nunca cumpriu.
Há ainda a foto de Flávio com Sicário, responsável por gerenciar as diversas milícias financiadas por Vorcaro para espionar, intimidar e agredir desafetos do banqueiro, inclusive jornalistas.
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