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Geopolítica

Tarifaço: Brasil e China se unem contra os EUA

O governo chinês pediu para participar da consulta da OMC sobre as tarifas americanas

Tarifaço: Brasil e China se unem contra os EUA

Em meio aos avanços da imposição do tarifaço de até 37,5% em produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, a China já está marcando sua posição sobre o tema.

Reportagem da Folha mostrou que o principal parceiro comercial do país requisitou formalmente para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço do governo de Donald Trump. O Brasil solicitou a consulta da OMC ainda no mês passado para apurar a aplicação das taxas consideradas injustas.

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Washington aceitou participar das consultas que ainda não possuem previsão para acontecer. Mais recentemente, a China protocolou um pedido para participar da análise dessas consultas da organização, alegando interesse comercial e que as medidas americanas afetam “todas as exportações da Chia para os Estados Unidos”.

Para aceitar a participação da China, Brasil e EUA precisam concordar com a medida, decisão já tomada pelos americanos.

Esse pedido de consultas é o primeiro passo para acionar a OMC e contestar o tarifaço. Para o Brasil, funciona também como um gesto simbólico para marcar sua posição em defesa do sistema multilateral de solução de disputas comerciais.

Por que a China deseja defender o Brasil?

Grande parceiro comercial do Brasil, a China pode trazer uma importante diferença na disputa contra a aplicação das tarifas do governo Trump.

O Brasilianista já mostrou que isso acontece por uma série de fatores da relação entre a diplomacia brasileira e chinesa. Além disso, o apoio de Xi Jinping à soberania brasileira segue a postura histórica da China de defender a não interferência em assuntos internos, sobretudo com parceiros do Sul Global — em meio à tensão Brasil-EUA, dá a isso um peso estratégico adicional.

Vale lembrar que o país asiático possui interesses econômicos concretos com o Brasil. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e depende de commodities brasileiras — como soja e minério de ferro — para sustentar seu desenvolvimento econômico. A relação também vem se ampliando para setores de maior valor agregado, como veículos elétricos, inteligência artificial e infraestrutura tecnológica.

A autonomia brasileira também favorece Pequim. Um Brasil que não se alinha automaticamente aos EUA mantém aberto um espaço econômico e político que interessa à China, incluindo projetos de infraestrutura para aproximar o Brasil dos mercados asiáticos, como uma ligação ferroviária entre Bahia e o porto peruano de Chancay.

Outro interesse é a oportunidade geopolítica. A deterioração das relações entre Brasil e EUA agravada pela sobretaxa americana de 25% sobre produtos brasileiros pode acelerar a diversificação de mercados brasileiros em direção à China, aprofundando a presença chinesa no país. Isso se insere numa disputa mais ampla entre Washington e Pequim por influência na América Latina.

Ainda assim, a maior presença chinesa por aqui não significa uma substituição completa da influência americana. Isso porque a estratégia brasileira tende a continuar sendo de equilíbrio entre as duas potências, e não de troca de um parceiro pelo outro, ainda que a pressão americana possa levar o Brasil a reduzir sua dependência do mercado dos EUA.

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