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Economia

Entrepay na mira do BC: mais uma empresa ligada ao banco Master entra em liquidação extrajudicial

Medida organiza o pagamento de credores

Entrepay na mira do BC: mais uma empresa ligada ao banco Master entra em liquidação extrajudicial

O Banco Central anunciou nesta sexta-feira (27), a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A., estendendo a medida à Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e à Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., empresas que compõem o Conglomerado Entrepay. O grupo era classificado como de pequeno porte e enquadrado no segmento S4, com a Entrepay na posição de instituição líder.

Em dezembro de 2025, o conglomerado representava cerca de 0,009% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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As empresas não realizavam captações por meio de instrumentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), por se tratarem de instituições de pagamento e de crédito direto. A decisão do Banco Central foi fundamentada no agravamento da situação econômico-financeira da Entrepay, além de irregularidades no cumprimento das normas que regem o setor.

Conforme informado pelo órgão, também foram identificados prejuízos que expõem credores a riscos considerados anormais.

Liquidação extrajudicial

Segundo O Brasilianista, ao ser decretada, a empresa encerra suas operações, suas dívidas vencem imediatamente e novas transações são proibidas. Os credores precisam seguir um processo legal para tentar recuperar valores, enquanto os bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis.

O BC recorre à liquidação extrajudicial em casos de insolvência irreversível ou infrações graves, quando medidas alternativas, como aportes de capital ou reorganização societária, não funcionam o recurso garante a proteção do sistema financeiro e a redução de riscos sistêmicos.

Suspeitas de ligação com Daniel Vorcaro

Segundo apuração do Estadão, autoridades brasileiras investigam a possível atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um “dono oculto” da Entrepay. A suspeita é de que o executivo utilizava a estrutura da companhia de forma indireta. O diretor da instituição, Antônio Carlos Freixo Júnior, também com bens bloqueados, seria um operador ligado ao esquema, atuando nos bastidores em benefício de Vorcaro.

As investigações apontam que o modelo de relacionamento entre Vorcaro e a Entrepay seria semelhante ao identificado entre o Banco Master e a Reag Investimentos. Conforme pessoas ouvidas pela reportagem, fundos ligados à gestora teriam sido utilizados em operações envolvendo fraudes e lavagem de dinheiro.

Esses fatos são apurados pela Polícia Federal pela Operação Compliance Zero, que investiga uma estrutura dividida em núcleos com funções específicas dentro do esquema. Vorcaro está preso desde 4 de março de 2026 e negocia um possível acordo de delação premiada.

Investigações e atuação de órgãos reguladores

Antônio Carlos Freixo Júnior já foi alvo de fases anteriores da mesma operação e responde, ao lado de Vorcaro, a processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que investiga irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos fechados.

Em dezembro, uma proposta de acordo para encerrar o caso foi rejeitada. O Banco Central relacionou diretamente as infrações normativas identificadas na Entrepay ao contexto dessas investigações envolvendo o ecossistema financeiro associado ao Banco Master.

Crise financeira e conexões com outros casos

O Brasilianista, já relatou outras empresas ligadas ao Master que também passam por problemas financeiros. O Grupo Fictor é um deles, com um passivo declarado de R$ 4 bilhões e dificuldades na reorganização financeira. Segundo especialistas embora haja fragilidades na documentação apresentada pela holding, a legislação exige a tentativa de reestruturação antes de eventual decretação de falência.

Esses profissionais avaliam que a manutenção da recuperação judicial pode favorecer credores, já que permite investigações patrimoniais mais robustas por parte do Ministério Público e do administrador judicial.

A empresa Reag Trust (CBSF Distribuidora) suspendeu suas operações e antecipou o vencimento de obrigações, além de congelar temporariamente os recursos sob gestão. Especialistas afirmam que os valores podem ser recuperados caso uma nova administradora seja definida em assembleia, já que os fundos possuem estrutura jurídica independente.

No entanto, os recursos permanecem indisponíveis até que haja decisão. A Reag é investigada por suspeitas de manipulação de balanços e lavagem de dinheiro, inclusive em apurações que envolvem o Banco Master e outras operações anteriores, como a Operação Fundo Fake.

Além dessas, o Banco Central decretou em janeiro a liquidação do Will Bank por insolvência e incapacidade de honrar compromissos, outra instituição ligada ao Banco Master. Essa ligação tornou inviável qualquer tentativa de recuperação independente.

Antes da decisão, a Will Bank operava sob intervenção do BC (RAET), mas negociações para venda não avançaram e o descumprimento de obrigações com a Mastercard agravou a crise.

Clientes recebem valores via Fundo Garantidor de Créditos até o limite de cobertura, e quantias acima seguem o processo de liquidação.

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