O autor e cientista político Alberto Carlos Almeida lançou no ano passado uma nova versão do seu best-seller dos anos 2000, trazendo uma análise sobre o pensamento do brasileiro. A cabeça do brasileiro, vinte ano depois é uma sequência do livro homônimo lançado em 2007.
A obra original é resultado de uma pesquisa que tenta desvendar o perfil do brasileiro. A partir de dados estatísticos, o autor apresenta conclusões que mostram como O Brasil é um país conservador e preconceituoso. O estudo foi realizado por meio de perguntas a pessoas de diferentes grupos sociais, questionadas com, entre outras perguntas:
- “Deixar alguém passar à frente na fila é jeitinho, favor ou corrupção?”
- “Um empregado deve se dirigir ao seu patrão por “senhor” ou por “você”?”
- “Empregados de edifícios devem utilizar o elevador social ou o elevador de serviço?”
- “A masturbação é uma prática sexual aceita ou rejeitada?”
O quadro mostra um Brasil complexo, mas compreensível. Agora, cerca de 20 anos depois, Almeida lançou um novo estudo revisitando a Pesquisa Social Brasileira (PESB), analisando o que mudou no pensamento do brasileiro nesse período, suas evoluções e quais temas permaneceram no mesmo lugar.
O cientista político e um time de pesquisadores referências em diversas áreas do conhecimento se reúnem no A cabeça do brasileiro, vinte anos depois para analisar as respostas de quase 1.600 brasileiros a uma nova rodada da PESB, discorrendo sobre temas como raça, religião, respeito à lei, relações de gênero, polarização política, economia e segurança pública.
Dessa vez, Almeida contou com a colaboração de Andreia Schroeder, Arthur Trindade M. Costa, Fabrício M. Fialho, Julio Trecenti, Lucio Rennó, Marcelo Ottoni Durante, Nelson Rojas de Carvalho, Nilson Teixeira e Stanley R. Bailey.
Além disso, utilizou o mesmo questionário e o mesmo desenho amostral da PESB 2002, mostrando quais foram as mudanças e permanências no pensamento da população brasileira depois do período de hiato da pesquisa.
“Todos os países mudam em vinte anos, e o Brasil não é exceção à regra. A experiência de vida das pessoas varia em função da década em que nascem e do período em que são socializadas. […] Por outro lado, as visões de mundo que permaneceram inalteradas diante de tantas transformações estruturais ― fatos históricos, mercado de trabalho, nível escolar ― se revestem, inegavelmente, de solidez. Talvez elas sejam mais relevantes para compreender o Brasil como ele é e será no futuro do que os valores que sofreram transformações”, explica um trecho da obra.
Quem é Alberto Carlos Almeida?
Doutor em Ciência Política e diretor do Instituto Brasilis, empresa de pesquisa e consultoria, Alberto Carlos Almeida é e autor de vários livros que abordam de maneira científica a sociedade e a política no Brasil.
Ele possui outras obras de peso para compreender a cultura brasileira política, como Por que Lula?; Presidencialismo, Parlamentarismo e crise política no Brasil, A cabeça do eleitor e mais.
Sua atuação é importante para compreender a situação social do Brasil e como os próprios brasileiros se enxergam.

