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Geopolítica

Presidente da Bolívia se encontra com Lula para assinar acordos cooperativos

Os chefes de Estado já haviam se encontrado em janeiro deste ano

Presidente da Bolívia se encontra com Lula para assinar acordos cooperativos

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, compareceu ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta segunda-feira (16), para assinar acordos cooperativos com o Brasil.

Paz e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tinham se encontrado no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá, em janeiro deste ano. No entanto, essa foi a primeira visita bilateral como chefe de Estado.

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Em declaração à imprensa, Lula afirmou que a Bolívia e Brasil são o ponto de encontro entre a Amazônia, o Pantanal, os Andes e o Congo do Sul, considerada a oitava maior fronteira terrestre do mundo.

“São mais de 3.400 quilômetros que conectam os estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aos departamentos de Pando, Beni e Santa Cruz. Essa não é apenas uma linha do mapa. É uma fronteira viva que conecta povos, culturas e economia. É uma fronteira que se expande com comércio, com investimentos em infraestrutura física e energética e com a mobilidade de bolivianos e brasileiros”, disse o presidente.

O Brasil é hoje o segundo parceiro comercial da Bolívia, mas o fluxo de comércio diminuiu ao longo dos últimos anos, passando de US$ 5,5 bilhões em 2013 para US$ 2,6 bilhões em 2025, ainda de acordo com o discurso de Lula.

“Precisamos atuar, e muito, para reverter esse quadro. Em setembro de 2025, mais de 100 empresas brasileiras estiveram na Expo Cruz, em Santa Cruz de la Serra, a maior feira multissetorial da América do Sul. Nesta visita, 120 empresários bolivianos acompanham o presidente Rodrigo Paz e participarão de um fórum empresarial amanhã em São Paulo”, afirmou Lula.

De acordo com o presidente, essas são iniciativas valiosas para impulsionar o intercâmbio comercial, com oportunidades para o setor de alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja, além de aprofundar a cooperação em biotecnologia com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Além disso, a criação do Sistema Brasileiro de Crédito à Exportação, vai permitir ao BNDES instrumentos atualizados de financiamento à exportação de bens e serviços.

Lula ainda anunciou que as obras da construção da segunda ponte entre Brasil e Bolívia começarão em 2027. A ponte sobre o rio Mamoré deve facilitar o fluxo dos moradores de Guajarabirim, em Rondônia, e Guajarabirim, no departamento de Beni.

O projeto funciona como peça central para a rota de integração sul-americana, melhorando a conectividade dos produtos do Brasil e da Bolívia aos portos de Chile e do Peru, permitindo escoamento pelo Oceano Pacífico e acesso aos mercados asiáticos.

“Também queremos avançar em uma das aspirações que mobilizou vários governos bolivianos, obter acesso fluvial para o Atlântico”, comentou Lula.

Acordo tripartide e cooperação energética

Brasil, Bolívia e Paraguai ainda visam assinar um acordo tripartite para aumento da navegabilidade da hidrovia do rio Paraguai, que inclui dragagem, finalização e balizamento do canal Tamengo, que conecta a Lagoa de Cárceres a Corumbá.

Ao mesmo tempo, o Brasil tenta formar uma cooperação energética com a Bolívia junto da Petrobras. Em um cenário de conflito que ameaça a demanda de petróleo e combustíveis fósseis, Lula declarou que ao país vizinho permanece como uma “fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil” por meio do gasoduto Brasil-Bolívia.

Os chefes de Estado ainda conversam sobre a possibilidade de ampliar investimentos nessa área e incrementar o volume exportado para o mercado brasileiro.

“O acordo que assinamos hoje abre caminho para a construção de linha de transmissão entre a província de Hermann Busch, no departamento de Santa Cruz e o município de Corumbá. Vamos otimizar o uso dos recursos existentes nos dois países e elevar eletricidade a regiões ainda dependentes do diesel. O Brasil está disposto a cooperar com a Bolívia, também com apoio à produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis”, alegou Lula.

Isso significa mais segurança energética e diversificação de fontes de fornecimento, além do potencial de descarbonização das economias.

Outro acordo assinado nesta segunda foi o compromisso com o combate ao crime organizado nos dois lados da fronteira. Ele prevê maior coordenação para prevenir e punir o tráfico de drogas e de pessoas, contrabandos, roubos de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais. Ao mesmo tempo, o documento estabelece como fundamental facilitar a mobilidade das pessoas.

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