O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)resgatou 1.530 trabalhadores em condições análogas à escravidão entre 2020 e 2025. A última atualização dos registros, feita em outubro do ano passado, inclui na “lista suja” 159 empregadores, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas, um aumento de 20% em relação à atualização anterior.
Esse aumento está na mira do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o Uol, os EUA abriram uma investigação comercial contra o Brasil e outros 59 países na apuração de uma suposta prática de trabalho forçado na produção e importação de bens.
O objetivo dessa análise seria aplicar novas tarifas para importações brasileiras, especialmente do setor agro. Isso porque setores agrícolas americanos alegam que os brasileiros possuem uma concorrência desleal no comércio exterior, visto que utilizam de mão de obra escrava.
O Brasil, por sua vez, nega as acusações e ressalta que o país assinou um acordo internacional que bane essa prática.
Vale lembrar que esta não é a primeira investigação contra o Brasil no atual mandato de Trump. O governo americano já observou o desmatamento no país e até mesmo o uso do Pix em um possível uso desleal de práticas econômicas.
Nova estratégia do governo Trump para aplicar tarifas
Conforme mostrado pelo O Brasilianista, o governo do presidente Donald Trump iniciou um novo processo para criar tarifas de importação após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar parte das taxas aplicadas anteriormente pela Casa Branca.
A estratégia envolve a abertura de investigações sobre práticas comerciais de países que mantêm relações econômicas relevantes com o mercado americano.
O objetivo é construir uma base legal para estabelecer novos impostos sobre produtos estrangeiros e substituir a política tarifária invalidada pela Justiça.
A iniciativa faz parte de uma tentativa de manter medidas de proteção à indústria doméstica e recuperar receitas perdidas com a decisão judicial. As informações são do Associated Press.
Segundo o The Washington Post, a nova estratégia comercial surge após a Suprema Corte declarar inválida a base jurídica utilizada pela Casa Branca para impor tarifas globais.
A decisão abriu um debate sobre os limites do poder presidencial em política comercial e gerou pressão para que o governo encontre novos instrumentos legais.
Com isso, a administração Trump passou a trabalhar em alternativas regulatórias capazes de sustentar futuras tarifas sem enfrentar novos questionamentos judiciais. O plano é reconstruir uma estrutura tarifária permanente baseada em investigações comerciais formais.
Quais os números do trabalho escravo no Brasil?
Ainda segundo o relatório do MTE, elaborado pela Auditoria Fiscal do Trabalho, os casos registrados nesta atualização tiveram maior número de inclusões nos estados de Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12).
Entre as atividades econômicas que mais utilizavam mão de obra escrava, destacam-se a criação de bovinos para corte (20 casos), os serviços domésticos (15), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Do total, 16% das inclusões estão relacionadas a atividades econômicas do meio urbano.
De acordo com o Uol, os trabalhadores retirados dessas condições receberam mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias.
A “Lista Suja” é publicada semestralmente e tem como objetivo dar transparência aos resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação de Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e outras forças policiais.
As fiscalizações começaram há 31 anos e, desde então, o governo brasileiro já retirou mais de 68 mil vítimas da situação de trabalho análogo à escravidão.

