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Economia

Briefing: volatilidade do petróleo, pressões fiscais e crise

Haddad afirmou que o governo acompanha de perto os desdobramentos da escalada de tensões no Oriente Médio

Briefing: volatilidade do petróleo, pressões fiscais e crise

A economia brasileira atravessa uma semana marcada por fortes oscilações no cenário internacional, pressões fiscais internas e turbulências no setor corporativo. A volatilidade do petróleo diante das tensões no Oriente Médio, decisões fiscais no Congresso e dificuldades financeiras de grandes empresas compõem um quadro que exige cautela do governo e dos agentes de mercado. Enquanto a equipe econômica monitora possíveis impactos externos, analistas também observam o comportamento do gasto público e a saúde financeira de grandes companhias.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad afirmou que o governo acompanha de perto os desdobramentos da escalada de tensões no Oriente Médio e seus possíveis efeitos sobre a economia brasileira, sobretudo no preço do petróleo. Segundo ele, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que a equipe econômica trabalhe com diferentes cenários antes de qualquer decisão, avaliando desde impactos moderados até situações mais graves que possam afetar a economia global, informou O Globo.

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A cautela ocorre em meio à forte volatilidade no mercado internacional de energia. Após chegar a superar US$ 110 durante a semana, o barril do petróleo registrou queda acentuada e o Brent encerrou o dia cotado a US$ 87,80, com recuo de 11,27%. Declarações de autoridades dos Estados Unidos e de Israel reduziram temores de escalada do conflito com o Irã, trazendo alívio aos mercados. De acordo com o Valor Econômico, a redução das tensões externas também ajudou a melhorar o humor dos investidores no Brasil, com recuo do dólar para R$ 5,1566 e aumento das apostas em um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom.

Campo fiscal

No campo fiscal, o Congresso aprovou projetos que ampliam gastos com o funcionalismo público. O Senado deu aval a um pacote de propostas que reajustam salários, reestruturam carreiras do Executivo federal e criam novos cargos na área de educação, com impacto estimado de até R$ 5,3 bilhões ainda neste ano. Os textos agora seguem para sanção presidencial, conforme noticiou a Folha de S.Paulo.

Relator da proposta, o senador Randolfe Rodrigues afirmou que as medidas não se tratam de “penduricalhos” salariais, mas de valorização do serviço público. Entre os reajustes previstos, o salário de auditores fiscais da Receita Federal poderá subir de R$ 29,7 mil para R$ 32,5 mil a partir de abril de 2026. O pacote também prevê a criação de milhares de cargos no Ministério da Educação, segundo o Estadão.

Estados e municípios

Outro fator que pode influenciar o crescimento econômico nos próximos anos vem do comportamento fiscal de estados e municípios. Estudo de economistas do instituto FGV Ibre aponta que o uso de recursos em caixa por governos regionais pode adicionar entre 0,4 e 1,8 ponto percentual ao PIB de 2026, especialmente por se tratar de ano eleitoral. Conforme destacou o Valor Econômico, no cenário considerado mais provável, o impulso fiscal poderia acrescentar cerca de 0,8 ponto percentual ao crescimento.

Recuperação extrajudicial

Enquanto isso, crises corporativas também entram no radar do mercado. A petroleira e produtora de energia Raízen protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. A companhia, controlada por Cosan e Shell, busca acordo com credores após meses de pressão financeira, informou a Folha de S.Paulo.

Situação semelhante ocorre com o varejista Grupo Pão de Açúcar, que anunciou negociação para reestruturar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas com bancos por meio de um plano de recuperação extrajudicial. A empresa já havia alertado em seu último balanço sobre incertezas em relação à continuidade operacional, também segundo a Folha.

Estados Unidos

No comércio exterior, outro sinal de alerta surge nas relações com os Estados Unidos. Dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA mostram que as exportações brasileiras para o país caíram 23,2% no primeiro bimestre de 2026, totalizando US$ 4,9 bilhões. A redução reflete tanto fatores de mercado quanto os efeitos de medidas tarifárias que continuam afetando produtos brasileiros, de acordo com levantamento da Amcham Brasil divulgado pelo Valor Econômico.