Publicidade
Economia

Dólar dispara após três dias de conflitos no Irã: como fica o real?

Investidores no Brasil e na América do Sul buscam proteção diante do risco de conflito prolongado

Dólar dispara após três dias de conflitos no Irã: como fica o real?

Nesta segunda-feira (02), os mercados cambiais da América do Sul registraram fortes oscilações, refletindo a busca por proteção diante dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que resultaram na morte do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei. O caso levou autoridades de diversos países a se posicionarem e países vizinhos a se preparem para uma possível surpresa.

No campo econômico, não foi diferente. Foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.

Publicidade

No Brasil…

O real apresentou perda de valor perante a moeda americana, interrompendo a sequência de valorização que vinha sendo registrada nas semanas anteriores, como detalha a Agência Brasil. Por volta do meio-dia, o dólar operava em patamares próximos a R$ 5,20, o que representa um acréscimo de cerca de 1% no dia.

Especialistas do mercado local apontam que esse movimento deriva de uma dinâmica global de proteção. Investidores retiram capital de praças emergentes, como a B3, para alocá-lo em ativos de segurança máxima. Conforme explica Otávio Oliveira, da tesouraria do Banco Daycoval, ocorre uma liquidação de posições em real para a aquisição de dólares.

Como a procura pela divisa estrangeira se intensifica, seu custo no mercado brasileiro sobe proporcionalmente.

Entretanto, Rodolpho Sartori, da Austin Rating, observa que o estresse atual parece mais contido se comparado a episódios de crise aguda no passado. A estimativa técnica é que a cotação flutue na banda de R$ 5,20 a R$ 5,25 nos próximos dias, sem demonstrar fôlego para saltos desordenados.

O que significa para os investidores?

Para investidores, a alta do dólar e do petróleo tem impactos diretos e indiretos. Empresas exportadoras, como a Petrobras, podem se beneficiar com ganhos cambiais e receitas maiores com a venda de petróleo. Por outro lado, a valorização do dólar encarece importações, pressionando custos de insumos e produtos para consumidores, o que pode gerar repique na inflação.

Além disso, o cenário de tensão internacional pode influenciar a política monetária do Banco Central. O aumento da incerteza geopolítica pode levar o Copom a adotar um corte de juros mais tímido em março, passando de 0,50 ponto percentual para 0,25 p.p., mantendo a Selic em 15% ao ano.

Investidores brasileiros enfrentam um ambiente de maior volatilidade, com petróleo em alta, dólar em valorização e perspectivas de inflação e juros ajustadas pelo impacto geopolítico no mercado global.

Mercado global

De acordo com o New Straits Times, logo nas primeiras negociações, o franco suíço se fortaleceu cerca de 0,2%, atingindo 0,7674 por dólar, e valorizou 0,6% frente ao euro, chegando a 0,9030, o ponto mais alto desde 2015.

O euro perdeu 0,3% de valor e passou a ser cotado a US$ 1,1781. O iene japonês, depois de uma alta inicial, recuou levemente, pressionado pela forte dependência do Japão em importações de petróleo, negociado por último a 156,32 por dólar.

Outras moedas globais também sentiram o impacto. A libra esterlina e o dólar australiano caíram mais de 0,5%, enquanto o yuan chinês registrou perda de 0,2% em transações offshore. A China, principal compradora de petróleo iraniano, exemplifica como o consumo de energia influencia diretamente moedas de países importadores.

No setor energético, o petróleo voltou a ganhar destaque, avançando cerca de 9% no início do pregão devido à interrupção do tráfego marítimo na região. Por sua vez, moedas de países exportadores de petróleo, como Canadá e Noruega, mantiveram-se estáveis nas primeiras horas da manhã asiática.

O dólar australiano, sensível a instabilidades, recuou 0,7%, cotado a US$ 0,7065, enquanto analistas indicam que o maior impacto no médio prazo deve atingir importadores de energia, como países da Europa e partes da América Latina.

Avaliação de especialistas

De acordo com analistas do Wells Fargo, “o euro enfrenta forte pressão, principalmente porque a Europa se aproxima do período de reabastecimento de gás natural, com estoques historicamente baixos. Isso exige compras significativas de energia justamente quando os preços podem disparar.”

Do lado militar, o tenente-coronel Nadav Shoshani, porta-voz das Forças de Israel, afirmou que ainda existem diversos alvos estratégicos, mas que não há planos imediatos de enviar tropas terrestres. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao Daily Mail que a operação pode se estender por cerca de um mês, acrescentando.

“Estimamos que o processo levará aproximadamente quatro semanas, como planejado desde o início.”

Dados de navegação mostram que pelo menos 150 navios-tanque, incluindo petroleiros e transportadores de gás natural liquefeito, estão ancorados em águas abertas do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz.

Mais sobre economia também nas redes sociais do O Brasilianista