A relação entre os Estados Unidos e Brasil pode esfriar novamente, mesmo após os recentes avanços na aproximação dos dois países. De acordo com a Reuters, o governo do presidente americano Donald Trump nomeou um funcionário oficial para fiscalizar assuntos relacionados ao Brasil.
O escolhido foi Darren Beattie, um crítico de extrema-direita que também trabalha como secretário assistente interino de Estado para assuntos educacionais e culturais. As informações são de fontes familiarizadas com o assunto, entrevistadas pela Reuters.
De acordo com um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Beattie atua como assessor sênior para a Política do Brasil. Sem confirmações oficiais sobre as atribuições do cargo, o pedido do governo Trump é de que Beattie tenha foco especial no Brasil em relação a combater supostas censuras indevidas — função que já ocupou anteriormente, mas observando países estrangeiros em geral.
Vale lembrar que, durante o ano passado, os EUA aplicaram um tarifaço de 40% sobre importações brasileiras justificadas pelo o que Donald Trump caracterizou, em carta, como “caça às bruxas” ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelas investigações da trama golpista.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa também sofreram sanção internacional dos EUA utilizada para violadores de direitos humanos, a Lei Magnitsky. O tarifaço e a medida sobre Moraes foram derrubadas após conversas das equipes econômicas dos países.
Em agosto, Beattie publicou no seu perfil da rede social X que o ministro do STF seria o ‘o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro’.
A nomeação do secretário sugere, de acordo com a Reuters, que Washington não abandonou suas preocupações com liberdade de expressão no Brasil, nem selou completamente a paz com o governo Lula.
Quem é Darren Beattie?
Segundo o site oficial do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie entrou no governo em outubro de 2025, vindo do setor privado, onde atuava como empresário da área de mídia e estrategista político.
Anteriormente, trabalhou no governo como redator de discursos e assessor político da Casa Branca, além de ter sido nomeado pelo presidente para a Comissão para a Preservação do Patrimônio Americano no Exterior. Em 2018, ele foi demitido do cargo por participar de um evento frequentado por nacionalistas brancos, segundo a Reuters.
Beattie também lecionou teoria política na Universidade Duke e na Universidade Humboldt de Berlim. Ele possui bacharelado em matemática pela Universidade de Chicago e doutorado em teoria política pela Universidade Duke, onde escreveu sua dissertação sobre matemática e a estrutura da modernidade.
Trabalhando como funcionário sênior (de alto cargo) do Departamento de Estado na área de Diplomacia Pública, sua biografia oficial do governo descreve que Beattie “é apaixonado por promover ativamente a liberdade de expressão como ferramenta diplomática e por utilizar as conquistas culturais excepcionais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para promover a segurança, a força e a prosperidade do povo americano”.
Lula vai à Washington
O presidente Lula possui reunião com Donald Trump em março e já articula as pautas que serão abordadas.
Em declaração nesta semana, o petista afirmou que deve levar junto a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vai “mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”.
No entanto, a pauta completa do que deve ser conversado com o republicano está em preparação, mas Lula já afirmou que deve mencionar temas de interesse do Brasil, como o multilateralismo e democracia. Ainda assim, a Trump também deve abordar outros temas.

