A agenda política e econômica foi marcada por movimentos coordenados entre Judiciário e Legislativo para limitar supersalários, novos desdobramentos do caso Banco Master, recorde de arrecadação federal e pressões sobre o setor produtivo. As decisões revelam um ambiente de ajustes institucionais e tensão fiscal em meio a incertezas externas e disputas regulatórias.
O Supremo Tribunal Federal e a cúpula do Congresso decidiram criar um grupo de trabalho para apresentar, em até 60 dias, uma proposta de transição para os chamados “penduricalhos” que elevam salários acima do teto do funcionalismo, atualmente em R$ 46,3 mil. O encontro contou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e os ministros Gilmar Mendes e Flavio Dino, autores de decisões que restringiram esses pagamentos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, elogiou as medidas adotadas pela Corte (O Globo).
Na Câmara, os deputados aprovaram a manutenção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que zera PIS/Pasep, Cofins e IPI para equipamentos do setor. A proposta, que substitui medida provisória enviada pelo governo, prevê renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões neste ano e aguarda análise do Senado (Folha).
Banco Master
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos capítulos. O presidente interino da Comissao de Valores Mobiliarios, João Accioly, afirmou no Senado que houve “alinhamento perverso de incentivos” entre gestores e investidores, sustentando uma “ficção contábil” que mascarava a real situação da instituição (Folha). Segundo o O Estado de S. Paulo, o banco teria se beneficiado de negociação fraudulenta ao adquirir um precatório ligado ao Grupo João Santos, com recursos posteriormente enviados ao exterior em operações suspeitas, apelidadas de “Operação La La Land”.
No Supremo, o ministro Andre Mendonca avalia manter as investigações integralmente na Corte para evitar conflitos de competência, enquanto Dias Toffoli defendia o desmembramento do caso, mantendo apenas autoridades com foro privilegiado no tribunal (Valor).
No Distrito Federal, o governo de Ibaneis Rocha apresentou nova versão de projeto para socorrer o BRB, com limite de R$ 6,6 bilhões em operações de crédito e redução da lista de imóveis oferecidos como garantia, após resistências da oposição (Folha).
Tarifas globais
No cenário externo, as tarifas globais de 10% adotadas pelo governo Donald Trump atingem cerca de 25% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 9,3 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento (Folha).
Em meio às pressões, a arrecadação federal bateu recorde para janeiro: R$ 325,7 bilhões, alta real de 3,56% sobre o mesmo mês do ano passado, impulsionada por medidas aprovadas em 2023, como a tributação de fundos exclusivos e offshore (O Globo).
O governo também deve reservar R$ 8 bilhões em operações com garantia da União para os Correios, dentro do limite global fixado pelo Conselho Monetário Nacional, como parte de um plano de financiamento de R$ 20 bilhões até 2026 (Valor).
Setor produtivo
No setor produtivo, a Confederacao Nacional da Industria estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar custos empresariais entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões ao ano, com impacto mais forte na construção e nas micro e pequenas empresas (Valor).
Ainda segundo o Valor Economico, os fundos de private equity ampliaram investimentos em 2025, totalizando R$ 50,1 bilhões em 89 operações, com destaque para transações envolvendo Braskem e OData. Já a diretoria da Aneel prorrogou a análise sobre possível caducidade do contrato da Enel São Paulo, após divergências internas (Valor).
Leilões
Por fim, o governo federal adiou para 2027 a maior parte dos leilões das primeiras concessões de hidrovias, como a do rio Madeira, diante de pressões políticas e mobilizações sociais. O presidente Luiz Inacio Lula da Silva também revogou decreto que previa estudos no rio Tapajós (Folha).

