O Relatório de Segurança de Munique de 2026, intitulado de “Sob Destruição”, apresenta um diagnóstico alarmante sobre a direção que o cenário internacional vem tomando.
Segundo o documento, o mundo passa a ser guiado por uma lógica definida como “martelo de demolição”, na qual a cautela das reformas dá lugar a um processo acelerado de desmontagem.
Instituições e normas que sustentaram a ordem global desde o pós-Segunda Guerra Mundial estariam sendo enfraquecidas ou simplesmente abandonadas.
O Brasil aparece na pesquisa entre os países onde a desconfiança em relação aos Estados Unidos cresceu 11 pontos em apenas um ano. O dado coloca Washington em um nível elevado de temor, mostrando instabilidade e imprevisibilidade da política externa americana no período recente.
Além disso, cerca de 60% dos brasileiros ouvidos afirmam que o Brasil não estaria pronto para enfrentar crises ou dificuldades que possam surgir a partir de decisões tomadas pelos Estados Unidos.
O levantamento desenha um quadro de fragilidade que alcança a maioria da população, que se vê diretamente impactada por escolhas feitas na Casa Branca.
A economia
Brasil é apontado como um dos principais alvos de uma estratégia comercial mais dura. Ao lado da Índia, o país recebeu algumas das tarifas de importação mais elevadas impostas pelos EUA nos últimos anos.
O país é descrito como um território que sofreu “intromissão massiva” de Washington, tanto em questões internas quanto no funcionamento de sua democracia, que mostra uma ruptura de regras internacionais que, por décadas, orientaram as relações entre os Estados.
Especialistas consultados afirmam que não há justificativa plausível para o impacto financeiro imposto ao Brasil. Para eles, as tarifas funcionaram como um instrumento de retaliação política.
Na prática, o comércio foi usado como um “martelo”, para penalizar posições adotadas pelo governo brasileiro que não estavam alinhadas aos interesses da administração norte-americana.
Esse ambiente de pressão externa e incerteza parece ter enfraquecido as expectativas sobre o futuro interno do país, revelando uma divisão significativa na forma como os brasileiros enxergam o destino das próximas gerações.
De um lado, 37% acreditam que as políticas atuais ainda são o melhor para pessoas mais jovens. Do outro, 40% dizem que o que vem pela frente será marcado por condições de vida piores do que as atuais.
Segundo as análises, neste momento a maioria dos brasileiros tem uma espécie de pessimismo sobre o futuro e que atravessa todo o lado social do país.
Causas globais
O relatório cita o Brasil como um exemplo emblemático de nações que estão no “fogo cruzado” da política econômica mundial.
O conjunto é agravado por um sentimento de abandono nas causas globais, já que a retirada do apoio dos EUA a metas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, impacta diretamente o financiamento de programas em países como o Brasil.
Isso aumenta a percepção de que as regras que antes organizavam o mundo estão sendo sistematicamente desmanteladas.

