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Economia

Master operava com recolhimento compulsório muito abaixo do exigido antes da liquidação

Registros indicam que a instituição mantinha no Banco Central valor irrisório diante da obrigação regulatória

Master operava com recolhimento compulsório muito abaixo do exigido antes da liquidação

No momento em que teve a liquidação decretada, em novembro de 2025, o Banco Master mantinha no Banco Central (BC) apenas R$ 22,9 milhões em depósitos compulsórios, quando a exigência do regulador superava R$ 2,5 bilhões.

O recolhimento compulsório é uma obrigação imposta a bancos para garantir que tenham recursos reservados, funcionando como uma espécie de colchão de liquidez.

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A diferença entre o valor devido e o efetivamente depositado indicava um descumprimento relevante dessa regra. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Relatos encaminhados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União descrevem que a insuficiência no recolhimento vinha se repetindo desde o fim de 2024 e se agravou ao longo de 2025.

Alertas formais e tentativas de correção

A autoridade monetária notificou a direção do banco diversas vezes para que regularizasse a situação. Essas comunicações resultaram em termos de comparecimento, instrumento formal que obriga os dirigentes a apresentar um plano de ajuste dentro de prazo determinado.

Mesmo após essas exigências, a instituição solicitou, em maio de 2025, dispensa temporária da obrigação de recolher os valores, pedido que foi recusado por falta de base legal.

As exigências do regulador haviam sido formalizadas ainda em novembro de 2024, durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, um ano antes da liquidação.

Investigações paralelas sobre a carteira do banco

Ao longo de 2024, técnicos do Banco Central passaram a examinar operações estruturadas pelo Master, incluindo carteiras de crédito e emissões de CRIs voltadas a empresas de desenvolvimento de projetos.

Chamaram a atenção operações realizadas com empresas pouco conhecidas no mercado. Os primeiros indícios considerados atípicos surgiram em setembro daquele ano, mas a apuração aprofundada ocorreria depois.

Parte dessas informações foi obtida por meio de um convênio entre o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permite o compartilhamento de dados sobre cotistas de fundos de investimento para fins de monitoramento do sistema financeiro.

Busca por alternativas para recompor o caixa

Após as advertências sobre a fragilidade da liquidez, o banco iniciou a venda de ativos e buscou negociações com outras instituições financeiras.

Houve tratativas para transferência de controle de empresas do grupo e para venda de participações do controlador.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concedeu assistência de liquidez que, ao longo de 2025, somou bilhões de reais. Também foram realizadas captações com garantia do fundo.

Mesmo com essas medidas, o Banco Central avaliou, em abril de 2025, que as ações não eram suficientes para reduzir o risco de liquidez e manter o cumprimento das obrigações regulatórias.

Negociação frustrada com o BRB

Em março de 2025, foi anunciada a intenção de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB), operação que dependia de autorização do Banco Central. Após meses de análise, a autoridade rejeitou a transação em setembro.

Sem a aprovação da compra e com a assistência do FGC limitada, o banco apresentou novo plano baseado na prorrogação do suporte financeiro, que não foi integralmente aceito. Com as alternativas esgotadas, o regulador optou pela liquidação extrajudicial em novembro.

Debate sobre supervisão e regulação

Como divulgado pelo O Brasilianista, a crise envolvendo o Master ampliou discussões sobre a capacidade de supervisão das autoridades financeiras brasileiras.

O caso expôs limites da fiscalização sobre instituições de porte intermediário que operam fora do eixo dos grandes bancos.

A Polícia Federal abriu investigações para apurar supostas fraudes em operações estruturadas, no âmbito da Operação Compliance Zero. Outras instituições também passaram por medidas semelhantes após a apuração.

Analistas destacaram que a prática de oferecer aplicações com rentabilidade elevada, apoiadas na garantia do FGC, pode gerar distorções e pressionar o próprio fundo, que existe para proteger depositantes em situações de falência bancária.

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