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Economia

Entenda as sanções do Banco Central sobre o Genial

O Copas multou a companhia em R$ 21,56 milhões

Entenda as sanções do Banco Central sobre o Genial

O Banco Central (BC) impôs sanções contra diretores do Banco Genial por movimentações irregulares de câmbio. A autarquia decidiu na última quarta-feira (12) multar o Genial em R$ 21,56 milhões também por comunicação de operações suspeitas ao Coaf e controles internos.

O CEO, André Schwartz, por exemplo, está proibido de operar no mercado financeiro pelos próximos quatro anos. O Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador (Copas) do BC também definiu que ele deverá pagar R$ 516 mil em multas.

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Outros dois executivos foram punidos, com multas que somam R$ 912 mil e um deles também foi inabilitado, o atual chefe do setor, Willian Kenzo Yoshihiro.

O Copas alega que o Genial realizou as movimentações de nove clientes, nos anos de 2020 e 2021, sem averiguar a origem do dinheiro usado para a compra e venda de criptomoedas. As empresas responsáveis pelas movimentações eram intermediárias de outras pessoas, o que pode caracterizar lavagem de dinheiro.

Para os membros do Copas, a corretora atuou de forma negligente ao não verificar se as empresas possuíam ou não capital necessário para as mais de 2 mil operações identificadas. Na visão do BC, a verificação da liquidez das empresas deveria ser feita diariamente.

O Genial também demorou a informar as operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão é responsável por analisar movimentações financeiras atípicas e possíveis casos de lavagem de dinheiro e, por isso, o BC considera que essa é mais uma falha.

A corretora só notificou o Coaf dessas operações, realizadas em dezembro de 2021, por volta de novembro de 2022.

O que diz o Genial?

À Folha, o Genial afirmou que cumpriu todas as normas aplicáveis da época dos fatos e que o Copas interpretou fatos de mais de cinco anos atrás a partir de normas que entraram em vigor somente em fevereiro deste ano.

A defesa da companhia também alega que foram definidas 21 absolvições ao final do processo e isso demonstraria o “exagero e injustiça da acusação”. Além disso, defende que possui governança robusta, sempre cumpriu a regulação, e adotará as medidas cabíveis para anular as condenações.

Problemas do Genial com lavagem de dinheiro

O Brasilianista mostrou que a Secretaria da Fazenda de São Paulo bloqueou R$ 176 milhões ligados ao banco Genial Investimentos nas investigações da Operação Carbono Oculto.

A investigação mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro, para lavar o dinheiro por meio de fundos de investimento e sonegar impostos.

A ação cautelar tinha como foco as empresas Áster e Copape, dos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco, os principais alvos da operação segundo o Ministério Público de São Paulo.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) tenta recuperar R$ 7,6 bilhões em ICMS dessas empresas, valor que inclui juros e multa.

O Genial Investimentos prestava serviços para essas empresas desde o segundo semestre de 2024, de acordo com fontes ouvidas pelo Valor, época em que a Reag Trust DTVM e a gestora do grupo fundado por João Carlos Mansur deixaram de atuar.

Na deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado, o banco indicou que renunciou a prestação de serviços de administração do fundo Radford, citado nos documentos de investigação.

Ao migrarem da Reag para a Genial, as empresas teriam levado recursos de um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) de aproximadamente R$ 500 milhões, que estava atrelado a uma carteira de crédito consignado do Banco Master.

Quando saíram do guarda-chuva da Reag, os recursos inclúíram um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) de cerca de R$ 500 milhões atrelado a uma carteira de crédito consignado do Banco Master.

Esse valor seria referente a um empréstimo feito para a usina Itajobi, do grupo Copape e Áster, que investiu R$ 176 milhões em cédula de crédito bancário (CDB) do Genial por meio do Radford.

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