O Grupo Fictor entrou com um requerimento de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest no último domingo (01). Em justificativa, a empresa comunicou que a ação é uma tentativa de “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”.
Além disso, afirmou que o objetivo é quitar as contas em até 180 dias para suspender cobranças e bloqueios. No entanto, uma mudança feita logo antes do pedido de recuperação mudou a forma como os investidores serão ressarcidos.
Segundo um investidor do Fictor, em entrevista ao Money Times, a empresa enviou um comunicado informando que estava promovendo o distrato unilateral das Sociedades em Conta de Participação (SCPs). Na prática, a medida trocou os investidores para credores e adiou os pagamentos previstos a esses antigos sócios.
A instituição utiliza a estrutura de SCPs, em que sócios se unem para investir em empreendimentos, para captar recursos. Foi mais de R$ 1,6 bilhão levantado desde 2021.
A quebra do contrato de sociedade inclui o pagamento desses investidores nas regras da recuperação judicial. Dessa forma, não poderão solicitar cobranças por até 180 dias e os valores de dívida podem eser negociados dentro do plano apresentado pela empresa.
Para advogados ouvidos pelo Money Times, a Fictor utilizou o investimento em SCPs de forma irregular.
Qual o motivo da recuperação da Fictor?
A Fictor se envolveu em polêmicas após anunciar uma proposta para adquirir o Banco Master um dia antes da liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central.
Na oportunidade, o órgão monetário negou a venda diante do cenário em que a instituição passava.
“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, disse a instituição em nota.

