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Geopolítica

Ursula von der Leyen reage a ameaça de Trump e diz que soberania da Groenlândia não está em negociação

Declarações feitas em Davos dão força ao posicionamento europeu diante de pressões externas

Ursula von der Leyen reage a ameaça de Trump e diz que soberania da Groenlândia não está em negociação

A presidente da Comissão Europeia afirmou que pressões comerciais entre aliados podem agravar tensões no Ártico e enfraquecer a cooperação internacional.

A soberania da Groenlândia não está aberta a negociação e qualquer tentativa de pressão entre parceiros históricos representa um risco estratégico. A avaliação foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira (20).

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A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que pretende impor uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de fevereiro de 2026, caso se posicionem contra o plano americano de compra da Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca. As informações são do G1.

Von der Leyen defendeu que a estabilidade do Ártico depende da atuação conjunta entre aliados e não de iniciativas isoladas. Para ela, disputas comerciais nesse contexto tendem a ampliar conflitos geopolíticos em uma região considerada sensível para a segurança global.

“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou a presidente da Comissão Europeia.

Críticas a tarifas e defesa de acordos

Sem mencionar diretamente o governo dos Estados Unidos, a dirigente europeia avaliou que a imposição de novas tarifas entre parceiros tradicionais seria um erro político e econômico. Ela lembrou que União Europeia e Estados Unidos firmaram um acordo comercial em julho do ano passado.

“As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”, disse. “Em política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo”, continuou.

Von der Leyen alertou que uma escalada de disputas comerciais tende a favorecer adversários estratégicos comuns. Segundo ela, o enfraquecimento da cooperação entre aliados abre espaço para atores que buscam ampliar influência global fora do eixo ocidental: “Entrar em uma espiral descendente apenas ajudaria aqueles que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico”.

Reação europeia no Ártico

O aumento da tensão levou líderes da União Europeia a se reunirem em caráter emergencial no último domingo, em Bruxelas, para discutir uma resposta coordenada ao cenário no Ártico. O encontro reuniu representantes dos 27 países do bloco.

Trump justificou o interesse na Groenlândia por razões estratégicas, citando localização geográfica e reservas minerais. O presidente americano também não descartou o uso da força, o que elevou o nível de alerta entre governos europeus.

Como resposta, países do continente anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram um comunicado conjunto reafirmando o compromisso com a defesa da Groenlândia no âmbito da Otan.

Acordo com o Mercosul entra no discurso

Durante o mesmo evento, Ursula von der Leyen também destacou o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, assinado no Paraguai no último sábado. Segundo ela, o tratado simboliza uma mudança estratégica diante de um cenário global marcado por disputas tarifárias.

A presidente ressaltou que o pacto, negociado ao longo de 25 anos, amplia a diversificação de cadeias produtivas e está alinhado aos compromissos climáticos do bloco europeu: “Estamos falando sério sobre reduzir riscos nas nossas economias e diversificar nossas cadeias de suprimentos”.

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