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Economia

O caminho do dinheiro no Brasil

O dinheiro surgiu no país a partir da colonização

O caminho do dinheiro no Brasil

As primeiras moedas do mundo da forma que são reconhecidas hoje podem ser datadas do século VII a.C., de acordo com a Casa da Moeda Brasileira. No entanto, o conceito de troca e valor existe há mais tempo do que é possível datar na humanidade.

No Brasil, o dinheiro surgiu — ou melhor, começou a ser registrado oficialmente — a partir da colonização. Primeiro com as trocas de bens naturais por objetos complexos e móveis, em certo momento os estrangeiros portugueses, espanhóis e até mesmo holandeses passaram a utilizar suas próprias moedas no país.

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Primeiras moedas do Brasil

De acordo com o Banco Central do Brasil (BC), foi durante o domínio holandês no nordeste (1630-1654) que surgiram as primeiras moedas cunhadas no Brasil, chamados de florins e os soldos. Elas eram utilizadas pelos holandeses para pagar aos seus fornecedores e às suas tropas cercadas pelos portugueses. Os florins e os soldos traziam a marca da Companhia de Comércio da Índias Ocidentais e a palavra “BRASIL” aparecia no reverso dos florins.

Foi em 1694 que D. Pedro II criou a primeira Casa da Moeda no país, localizada na Bahia. Na mesma época surgiram as patacas, que circularam por impressionantes 139 anos, entre 1695 e 1834. Composta por moedas de prata nos valores de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis, o nome da série se deu pelo nome do valor de 320 réis: pataca.

O principal papel da Casa da Moeda era transformar as moedas de ouro e prata em circulação em moedas provinciais. Porém, algumas dificuldades de transporte e logística fizeram a instituição mudar a sede três vezes, se consolidando finalmente em 1703, no Rio de Janeiro.

Banco do Brasil e as cédulas

Mais de um século depois, junto da chegada da família real ao Brasil, em 1808, D. João VI criou o Banco do Brasil, o primeiro banco da América do Sul e o quarto do mundo. A necessidade desse banco se mostrou urgente em meio à insuficiência de moedas em circulação para lidar com a baixa produção de ouro e os altos gastos administrativos do Rio.

Vale destacar que apenas dois anos depois da criação do Banco do Brasil, em 1810, foram emitidos os
primeiros bilhetes do Banco, precursores das cédulas atuais
. O “papel moeda” surge na humanidade como um recibo que donos de cofres entregavam, confirmando a quantidade de dinheiro que uma pessoa tinha.

Da Independência à República

Apenas 12 anos após a Independência do Brasil, em 1834, a Casa da Moeda do Rio de Janeiro cunhou uma nova série de moedas em prata para substituir as patacas. O valor de 400 réis, conhecido como cruzado deu nome à série.

Já após a Proclamação da República, em 1889, foi estabelecido o padrão Réis para as moedas brasileiras. Além disso, a imagem do imperador foi substituída por uma gravação da alegoria da República. Por sua vez, o ouro deixou de ser utilizado nas moedas em 1922, pelo alto custo do metal precioso.

O Tesouro fez sua última emissão em réis em 1936, voltando a emitir no padrão Cruzeiro, de
1942 até 1964, até mudar novamente. O BC ainda relembra que em 1942, o Brasil tinha 56 tipos diferentes de cédulas, com a instauração do Cruzeiro para uniformizar o dinheiro no país.

As moedas no século XX

É nessa época que a divisa brasileira passa a ser um sistema unificado e organizado, criando a forma de moeda que se conhece atualmente. Vale lembrar que as mudanças no modelo das moedas acompanharam grandes momentos da política, como ditaduras de Getúlio Vargas e militar, bem como a redemocratização e superinflação.

Veja a trajetória da moeda brasileira no século XX:

  • 1942 – Réis passou a ser Cruzeiro

O cruzeiro foi criado com o corte de três zeros, ou seja, 1.000 réis = 1 Cruzeiro.

  • 1967 – Cruzeiro passou a ser Cruzeiro Novo

Primeira mudança monetária da ditadura militar, o cruzeiro foi substituído pelo cruzeiro novo, com novo corte de três zeros. Isso quer dizer que, se alguém tinha 10.000,00 cruzeiros no banco, automaticamente passou a ter 10,00 cruzeiros novos. De maneira prática o poder de compra não mudava, apenas simplificava os números. Se um pão custava 1.000,00 cruzeiros, depois passou a custar 1,00 cruzeiro novo.

  • 1970 – Cruzeiro Novo voltou a ser Cruzeiro

O cruzeiro voltou, mantendo o valor do cruzeiro novo, sem cortes adicionais.

  • 1986 – Cruzeiro passou a ser Cruzado

O Plano Cruzado foi a primeira mudança de moeda após o fim da ditadura militar, com o Brasil ainda em processo de redemocratização. Nesse momento, o cruzeiro deu lugar ao cruzado, novamente com o corte de três zeros.

  • 1989 – Cruzado passou a ser Cruzado Novo

Em meio à hiperinflação, ainda sob os efeitos do final da ditadura militar, surge o cruzado novo, também com corte de três zeros.

  • 1990 – Cruzado Novo voltou a ser Cruzeiro

O cruzeiro retornou, substituindo o cruzado novo, mas sem cortes.

  • 1993 – Cruzeiro passou a ser Cruzeiro Real

Uma moeda de transição foi criada: o cruzeiro real, que também trouxe o corte de três zeros.

  • 1994 – Cruzeiro Real passou a ser Real

Se instaura o Plano Real, criado para estabilizar os preços e utilizado até hoje. Nessa mudança, o cruzeiro real foi substituído pelo real, com o corte de três zeros e a divisão por 2,75.

Funcionava assim: antes de criar o Real, o governo lançou uma moeda temporária chamada URV (Unidade Real de Valor), que servia como “moeda paralela” para corrigir preços e inflação. Ela funcionou por quatro meses. Na prática, 1 URV equivalia a CR$ 2.750,00 (dois mil setecentos e cinquenta cruzeiros reais).

Dessa forma, quando o Real entrou em vigor, em 1º de julho de 1994, a equivalência foi: R$ 1,00 = 1 URV = CR$ 2.750,00 (cruzeiros reais).

Ou seja, se alguém tinha 27.500,00 (cruzeiros reais no banco, isso virou R$ 10,00 com o plano real. As informações são do Banco Central.

Foi com o Real que, pela primeira vez, o Brasil teve uma moeda sem a cara dos líderes estampada nas cédulas.

Drex: a moeda digital do BC

Passando para o século XXI, o Banco Central estuda a possibilidade de criar uma moeda digital, chamada de Drex. No entanto, ela não será uma nova divisa: o Drex nada mais é do que o real digital e é emitido por plataforma digital, com equivalência de 1 para 1 com o Real, funcionando como um ativo da moeda brasileira.

O objetivo é que, além de transações comuns, seja possível realizar operações mais complexas, como registro digital de imóveis, contratos programáveis e tokenização de recebíveis, de forma mais rápida e segura. Saiba tudo sobre o Drex.