A remoção do ditador Nicolás Maduro para Nova York, em uma operação de alto impacto simbólico, está longe de encerrar a crise venezuelana. O núcleo do poder permanece em Caracas, sob controle das forças bolivarianas, e a reação imediata do regime indica disposição para resistir e contra-atacar. A ausência do chefe do Executivo não dissolveu o aparato político-militar que sustenta o chavismo há mais de duas décadas.
Poder real segue com Cabello e Padrino
As duas figuras centrais do regime — Diosdado Cabello e o general Vladimir Padrino López — continuam operando como fiadores da continuidade. Cabello, com forte controle sobre o aparato de segurança interna e mobilização política, adotou discurso de soberania violada e convocou resistência. Padrino, por sua vez, sinalizou mobilização das Forças Armadas, reforçando a aposta do regime na coesão militar para manter controle territorial e capacidade de comando.
Vitória tática não equivale a controle do país
Do ponto de vista estratégico, a captura de Maduro representa um êxito tático, mas não uma solução política. Sem desarticular o sistema coercitivo, sem fissurar a cadeia de comando e sem um arranjo de transição com legitimidade interna, o risco é a consolidação de um vácuo apenas aparente — preenchido, na prática, pelos mesmos atores que sustentaram o regime até aqui.
EUA enfrentam risco de escalada e impasse
Para os Estados Unidos, o desafio agora é evitar confundir captura com governabilidade. A narrativa oficial venezuelana de “agressão externa” tende a mobilizar a base chavista, elevar o custo diplomático e alimentar a resistência interna. Enquanto Cabello e Padrino mantiverem meios e modos de reagir, a Venezuela não estará pacificada — e Washington não poderá se declarar vencedor de uma disputa que, por ora, apenas mudou de fase.


