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Geopolítica

O que é “soft power” e como países conquistam influência sem usar armas?

A diplomacia cultural e a imagem positiva podem fortalecer relações internacionais

O que é “soft power” e como países conquistam influência sem usar armas?

O termo “soft power” define a capacidade de um país influenciar outros sem recorrer à força militar ou à coerção econômica. Criado pelo cientista político norte-americano Joseph Nye no final dos anos 1980, o conceito ganhou destaque nas relações internacionais após o fim da Guerra Fria, quando as disputas por poder deixaram de se concentrar apenas em armas e territórios.

Segundo a Harvard Kennedy School, o “soft power” é a habilidade de alcançar resultados desejados por meio da atração e da persuasão, e não pela imposição. Em vez de obrigar, convence. Essa influência se dá por canais simbólicos — como cultura, valores políticos, diplomacia e imagem nacional — que despertam admiração e confiança.

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Da força ao prestígio

De acordo com o professor Alexandre Uehara, da ESPM, durante grande parte do século XX as disputas internacionais eram guiadas pelo “hard power”, isto é, pela demonstração de força, quantidade de armas e influência militar.

Essa mudança de paradigma fez com que diversos países percebessem o valor de investir em sua imagem e em elementos que pudessem gerar admiração global. Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Brasil tornaram-se exemplos de nações que utilizam o soft power como estratégia de diplomacia e fortalecimento econômico.

Cultura e economia como ferramentas

O professor Caio Gracco, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, ressalta que o soft power se apoia em recursos imateriais, mas tem efeitos concretos. “Ele tenta convencer sem a necessidade de recorrer à violência”, afirma. Segundo o docente, esse tipo de poder depende de objetivos políticos claros e de uma estratégia coerente para ser eficaz.

Na prática, o soft power se manifesta por meio da exportação cultural — música, cinema, arte, esportes e moda —, mas também por políticas públicas e ações de solidariedade internacional. De acordo com o jornal Fortune, apenas o grupo sul-coreano BTS gerou mais de 29 bilhões de dólares para a economia do país entre 2014 e 2023, mostrando como o prestígio cultural pode se transformar em ativo econômico.

O papel do Brasil nesse cenário

O Brasil é considerado um exemplo notável de soft power, conforme destacou o Senado Federal. A influência brasileira se apoia em sua diversidade cultural, na simpatia de seu povo e no alcance internacional de sua música e do seu cinema. A turnê de Caetano Veloso e Maria Bethânia, o sucesso do filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e o impacto artístico do Instituto Inhotim são expressões desse poder de atração.

Essas manifestações culturais projetam uma imagem positiva do país, reforçam sua identidade no exterior e abrem portas para novas oportunidades diplomáticas e comerciais. O Brasil, portanto, utiliza a arte e a cultura como pontes de diálogo e cooperação internacional, ampliando sua influência de forma pacífica e estratégica.

A relevância nas relações internacionais

O soft power permanece essencial mesmo em tempos de tensão global. Quando nações optam por estratégias unilaterais ou abandonam acordos multilaterais, enfraquecem os canais de comunicação e aumentam o risco de conflitos. Já a influência simbólica, baseada na confiança e na cooperação, ajuda a preservar a estabilidade internacional.

Embora não substitua o poder militar, o soft power é uma alternativa eficaz para construir alianças e legitimar posições no cenário mundial. Ao apostar na diplomacia cultural e na credibilidade, países conseguem conquistar espaço e prestígio sem precisar recorrer à força.

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