No início do mês, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo O Globo, ele possui diversos contatos de políticos e ministros em seu telefone.
A rede de contatos do banqueiro, cujo periódico teve acesso, mostra os números de telefone de pelo menos três ministros do STF, cinco senadores, 20 deputados e um governador. Um dos nomes de destaque é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que lidera a investigação sobre o Master na Corte.
Conforme mostrado pelo O Brasiliansita, Toffoli viajou com o advogado do diretor de compliance do banco para a final da Libertadores. Quatro dias depois da viagem, o ministro determinou que qualquer medida judicial da investigação de Vorcaro fosse submetida a ele e que a defesa do diretor de compliance tenha acesso aos autos do recurso no Supremo.
Ainda segundo O Globo, o ministro também retirou da CPI o acesso total aos materiais da quebra dos sigilos. Apesar da lista de contatos, não há qualquer informação sobre trocas de mensagens ou ligações.
Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques são os demais ministros presentes no celular de Vorcaro. O Globo confirmou um vínculo entre o Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, por uma prestação de serviços com remuneração mensal de R$ 3,6 milhões.
Já Marques disse ao jornal que não tem nenhuma relação com Vorcaro, justificando a presença do seu contato no celular do banqueiro visto que seu número ficou “aberto” a muitos desconhecidos desde a sabatina no Senado, em 2020.
Ligação com o Congresso
Toffoli não anulou as medidas, mas definiu que os documentos fossem encaminhados diretamente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — que também aparece na lista de contatos —, até um novo entendimento do STF sobre o caso.
Durante o ano passado, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) passou pelo Congresso, visando aumentar o seguro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em aplicações específicas, como o CDB, que o Master oferecia em larga escala a preços abaixo do mercado. A proposta apelidada de “emenda Master” no Congresso, de acordo com o O Globo, não foi aprovada.
Entre outros contatos, estão o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que seria o responsável pelas negociações do BRB com o Master, e também o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).

