Um fato inédito acontece na Câmara dos Deputados na noite desta terça-feira (09), após o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ser retirado à força do Plenário que discutia a PL da Dosimetria. A sessão foi interrompida e jornalistas foram impedidos de entrar novamente, bem como o sinal de televisão foi cortado.
O Brasilianista acompanha no Planalto os desdobramentos da confusão generalizada. Em declaração fora da Câmara, Braga afirmou que não luta somente pelo mandato — que pode ser cassado —, mas também “por aqueles que não viram as liberdades democráticas num pacote golpista como eles estão tentando fazer”.
“Porque eu sei que hoje eles fazem comigo. Amanhã fazem com outras forças populares, democráticas e isso não tem como aceitar”, continuou.
Braga foi retirado à força pela polícia legislativa após ocupar a cadeira da Mesa Diretora. A confusão começou após o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmar que a cassação do mandato do deputado poderia ser discutida nesta quarta-feira (10). O fim do mandato é avaliado por quebra de decoro.
A CCJ aprovou a cassação e falta a votação em Plenário. No entanto, Glauber contesta ser incluído no mesmo bloco de casos da cassação dos mandatos de Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem.
“Obrigado por toda a solidariedade em todas as partes. Se imaginavam que esse era um passo para eu ficar calado, ou para intimidar outros deputados que lutam por liberdade democrática, estão muito enganados porque essa luta não acabou e não vai acabar por aqui”, finalizou.
O que prevê o PL da Dosimetria?
O PL da Dosimetriabusca reduzir a pena dos condenados pelos atos do 8 de janeiro de 2023, quando houve invasão dos Três Poderes em Brasília. Antes conhecido como PL da Anistia, é uma adaptação do perdão amplo a essas pessoas.
O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade), relator do Projeto de Lei (PL), afirmou que seu texto final prevê a libertação de todos os presos pelos atos cometidos na data, enquanto aqueles com penas maiores, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), terão tempo de reclusão reduzido.
No caso de Bolsonaro, por exemplo, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por fazer parte do núcleo principal da trama golpista, caso o PL seja aprovado, teria pena reduzida a pouco mais de dois anos.

