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Geopolítica

Entenda o termo “terceiro mundo”, resgatado por Trump ao anunciar restrições migratórias

Classificação não é mais reconhecida dentro da diplomacia e não inclui o Brasil na lista de países sob revisão

Entenda o termo “terceiro mundo”, resgatado por Trump ao anunciar restrições migratórias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar controvérsia ao afirmar que pretende “pausar permanentemente” a imigração de países que chamou de “terceiro mundo”, conforme repercussão d’O Brasilianista.

O termo, porém, não é mais utilizado na geopolítica contemporânea e remetia originalmente à divisão estabelecida durante a Guerra Fria, quando países não alinhados às potências hegemônicas, como EUA e União Soviética, eram agrupados sob essa categoria.

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Trump não detalhou quais nações estariam incluídas no grupo mencionado. Porém, segundo informações da Reuters, o Departamento de Segurança Interna apontou que o presidente pode ter se referido aos 19 países que já estão sob revisão de Green Cards, o que, conforme destacado pelo G1, não inclui o Brasil.

Termo em desuso

O termo “terceiro mundo” foi criado em 1952 pelo demógrafo francês Alfred Sauvy, lembra o G1. Na época, a expressão definia o conjunto de países subdesenvolvidos, recém-descolonizados ou marginalizados nas disputas entre EUA e URSS. Sauvy defendia que essas nações eram ignoradas, exploradas e deixadas à margem das decisões globais, o que ele comparou ao Terceiro Estado da França pré-revolucionária.

A classificação funcionava como contraponto à lógica bipolar da Guerra Fria, reunindo países da Ásia, África, América Latina e Caribe na reivindicação de temas como desenvolvimento, críticas ao colonialismo e desarmamento, destacou Clarissa Nascimento Forner, da UERJ, ao G1. Após o fim desse período histórico, o termo passou a ser usado de maneira pejorativa e, mais recentemente, resgatado por setores da extrema-direita.

Ao empregar a expressão em sua nova ameaça migratória, Trump reforça discursos com conotação racista e xenófoba, acionando uma lógica hierarquizante entre países e culturas, destacou o jornal. A retórica, segundo Forner, opera como dispositivo de mobilização entre segmentos mais radicais de sua base.

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