Uma análise encomendada pela Organizações da Sociedade Civil, República.org e Movimento Pessoas à Frente divulgou nesta quarta-feira (26), um estudo que aponta que o Brasil desponta como o país com maior gasto com supersalários entre 11 nações analisadas, com valor estimado em R$ 20 bilhões pagos a servidores que recebem acima do limite constitucional.
O estudo intitulado Benchmark Internacional sobre Teto Salarial no Setor Público, reforça que cerca de 53,5 mil servidores, ativos e aposentados, receberam remunerações superiores ao teto vigente, de R$ 46.366,19.
Esse volume representa aproximadamente 1,34% de um universo de 4 milhões de servidores públicos contemplados na pesquisa. As informações são da CNN.
Supersalários: concentração entre magistrados e procuradores
O grupo com maior incidência de pagamentos acima do teto é o da magistratura: cerca de 21 mil juízes e desembargadores, cujo total ultrapassa R$ 11,5 bilhões em supersalários. Também destacam-se servidores do Ministério Público, advogados da União e procuradores federais, que compõem boa parte dos demais casos.
Na comparação com os dez outros países do estudo, entre eles Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Chile, México, França e Reino Unido, o Brasil aparece em primeiro. Só a Argentina, segunda colocada, contabiliza cerca de 27 mil servidores com supersalários, cerca de metade do número brasileiro.
Impactos no orçamento
Para a República.org, os valores pagos além do teto comprometeriam recursos públicos que poderiam ser investidos em serviços essenciais como saúde e educação. Eles defendem a adoção de regras mais rígidas e transparentes para impedir o que consideram “privilégios desproporcionais” no funcionalismo.
O debate sobre supersalários reacende a pressão por reformas no sistema remuneratório do setor público e pela regulamentação clara de verbas, gratificações e benefícios. A polêmica envolve tanto a legalidade dos valores como o impacto social e fiscal desses pagamentos elevados.

