A cerimônia marcada pelo governo federal para oficializar a isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais ocorre nesta quarta-feira (25) sob um sinal evidente de desgaste político: a ausência dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). As informações são do G1, que apontam deterioração significativa na relação entre o Congresso e o Palácio do Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona o projeto em evento no Palácio do Planalto com início às 10h30, acompanhado por parlamentares. A iniciativa, enviada pelo Executivo em março e aprovada por unanimidade no início de novembro, representa uma das principais apostas econômicas do governo para ampliar o poder de compra de trabalhadores com renda mais baixa.
Recado político
Apesar da relevância política da cerimônia, as assessorias dos dois presidentes do Congresso justificaram suas ausências com compromissos pré-agendados. A equipe de Motta alegou “agenda intensa”, enquanto Alcolumbre teria passado a manhã em reunião com senadores. Entretanto, conforme apurarou o G1, aliados de ambos confirmam que o real motivo está na insatisfação crescente com o governo.
Fontes próximas a Alcolumbre relataram ao portal que “não tem clima” para participação em um ato público ao lado do Executivo. Já interlocutores de Motta afirmam que o presidente da Câmara optou por não ir após críticas envolvendo o PL Antifacção, quando o deputado Lindbergh Farias acusou Motta de tentar assumir o protagonismo de uma pauta considerada estratégica para o governo. Segundo aliados ouvidos pela Globo, a decisão de Alcolumbre de não comparecer influenciou diretamente o gesto de Motta.
A sanção da nova faixa de isenção, que afeta trabalhadores de todo o país, acabou ofuscada pelo simbolismo da ausência simultânea dos chefes das duas Casas Legislativas, um recado político que amplia a percepção de instabilidade na articulação entre o governo federal e o Congresso, de acordo com os veículos.

