A investigação do Banco Central (BC) em relação a fraude do Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro começou ainda no ano passado. As suspeitas levaram à prisão do presidente do banco na última segunda-feira (17).
Segundo informações obtidas pelo Valor Econômico, o BC ficou alerta após observar a falta de comprovação da origem do dinheiro em pedidos de aumento de capital pelo Master e Banco de Brasília (BRB).
A instituição privada buscava fontes de captação de recursos desde que o BC limitou a venda de CDBs sob a segurança do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No segundo semestre do ano passado, o mercado desconfiava do Master por oferecer títulos prometendo pagar jutos muito acima do normal.
Com isso, começou a captar recursos em fundos de previdência e também vendendo letras financeiras para o BRB. Porém, o volume de transações entre os bancos ultrapassou o limite permitido, o que despertou a desconfiança do BC.
Na época, o Master dizia que não fazia parte das transações, que eram feitas entre uma empresa terceirizada chamada Tirreno. Porém, um dos indícios mais importantes da fraude aconteceu neste ano, em abril, quando o Master cancelou as operações de crédito com a Tirreno, mas logo depois vendeu mais R$ 4,05 bilhões em carteiras de crédito ao BRB, geradas pela suposta companhia fraudulenta.
O estopim foi a tentativa do BRB em comprar o Banco Master, negada pelo BC em todas as suas proposições. No primeiro acordo, Vorcaro seria o responsável pelas duas companhias. Segundo o Valor, foram seis acordos, em que o banqueiro foi diminuindo sua posição no comando, mas o BC não autorizou a aquisição.
Como Vorcaro foi preso?
A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro na noite da última segunda-feira (17), no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Pouco antes da sua prisão, surgiu a notícia de que Vorcaro teria fechado um acordo e comunicado ao BC da venda do Master para o Grupo Fictor, junto com investidores árabes. A justificativa da viagem seria a visita aos árabes para fechar o negócio.
Ainda na última terça-feira (18), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida interrompe a atividade da instituição e anula a negociação de venda anunciada um dia antes. Com a liquidação, o banco é retirado do Sistema Financeiro Nacional e o Fundo Garantidor de Créditos assume o ressarcimento dos credores dentro dos limites previstos.
O que diz a defesa de Vorcaro?
Ao Valor, a defesa de Vorcaro alega que a suposta intenção de fraude ou mesmo de obter vantagem ilícita com as transações é incompatível com o recebimento dos pagamentos em conta no BRB.
Ainda, defende que as medidas cautelares são injustas e desnecessárias, o que forçaram a liquidação no Master pelo BC.

