Uma falha de grandes proporções na infraestrutura da Cloudflare deixou mais de 500 plataformas fora do ar na manhã desta terça-feira (18). O problema, registrado por volta das 9h (horário de Brasília), gerou erros em diversos serviços digitais de alto tráfego, impossibilitando o acesso a sites e aplicativos essenciais no Brasil e em diversos países. As informações são da revista Exame.
Entre os serviços afetados estiveram X (antigo Twitter), ChatGPT, Canva e até ferramentas que monitoram falhas, como o DownDetector. A Cloudflare confirmou a indisponibilidade e informou que a instabilidade atingiu não apenas seus clientes, mas também o próprio painel de controle e a API, dificultando operações internas. A empresa declarou estar avaliando o impacto e trabalhando na mitigação, sem divulgar a causa nem previsão de normalização.
“Acreditamos que o incidente já foi resolvido”, afirmou a empresa em uma atualização, repercutida pela BBC.
Falhas em provedores elevam prejuízos bilionários
O incidente reacendeu o debate sobre a fragilidade de modelos baseados na concentração de serviços críticos em um único fornecedor. Um estudo do Ponemon Institute estima que grandes empresas podem enfrentar perdas superiores a US$ 9 mil por minuto em casos de interrupção, destacou a revista.
No Brasil, episódios semelhantes já representaram impactos financeiros vultosos: interrupções em soluções de computação em nuvem somaram R$ 140 milhões em prejuízos em apenas dois dias, conforme dados do setor.
Estratégias Multi-Cloud são opções?
Com ocorrências recorrentes de falhas em provedores globais, cresce a adoção de arquiteturas Multi-Cloud, que distribuem sistemas e aplicações entre diferentes empresas de tecnologia para reduzir vulnerabilidades.
Segundo a Exame, 87% das organizações já operam em múltiplas nuvens, e 72% delas alocam aplicações críticas em dois ou mais provedores. A tendência deve se intensificar: o Gartner projeta que, até 2027, 9 em cada 10 empresas de médio e grande porte terão uma estratégia formal de Multi-Cloud funcionando.
A revista cita ainda que, essa abordagem pode diminuir em 31% o tempo de indisponibilidade e promover uma economia de até 28% em infraestrutura. A principal motivação é evitar o chamado vendor lock-in, segundo levantamento da Accenture, no qual 68% dos CIOs e CTOs afirmaram buscar alternativas justamente para fugir da dependência de um único fornecedor.
A estratégia tem ganhado destaque especialmente em setores como finanças, saúde e indústria, onde resiliência e continuidade operacional são decisivas para o negócio.

