Uma grande manifestação inspirada pela Geração Z reuniu milhares de pessoas nas ruas do México, protestando contra a corrupção, a insegurança e a impunidade. Segundo relatos da Al Jazeera, o protesto terminou em confrontos com a polícia e deixou mais de 100 feridos.
Geração Z nas ruas por mudança
A mobilização da Geração Z atraiu jovens conectados e politizados, mas surpreendeu também pela forte presença de adultos e idosos críticos ao governo. O movimento, que começou como um chamado online, transformou-se numa marcha multitudinária contra a insegurança, a corrupção e o avanço do crime organizado. Os protestantes estavam unidos por uma insatisfação comum com a administração da presidente Claudia Sheinbaum.
Apesar de muitos identificarem o ato como jovem, diversas gerações caminharam lado a lado, unidas pela frustração com a violência crescente e pela sensação de abandono por parte das autoridades. Especialistas apontam que essa união intergeracional foi o que deu força ao protesto.
A morte do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, dias antes da marcha, impulsionou ainda mais a revolta popular. Para muitos manifestantes, o assassinato simbolizou o fracasso do Estado em garantir segurança até mesmo para figuras de autoridade.
Além disso, participantes denunciaram a falta de investimentos na saúde pública e a impunidade em casos de violência cotidiana. Muitos carregavam cartazes pedindo respostas imediatas e ações mais firmes do governo federal.
Protesto evolui para confrontos
A tensão aumentou quando um grupo encapuzado tentou derrubar as barreiras metálicas que protegiam o Palácio Nacional. A partir daí, a polícia interveio com bombas de gás lacrimogêneo, provocando correria e pânico entre os presentes.
Relatos indicam que o confronto se espalhou por ruas próximas, com manifestantes tentando se proteger do gás enquanto agentes avançavam para dispersar a multidão. O clima amistoso que marcou o início da marcha deu lugar a cenas de caos e desespero.
Feridos e prisões no entorno da marcha
As autoridades da capital informaram que cerca de 100 policiais ficaram feridos, sendo que 40 precisaram de atendimento hospitalar após enfrentarem grupos mais agressivos. O governo local classificou o episódio como “ataques diretos” contra as forças de segurança.
Pelo lado dos manifestantes, estima-se que pelo menos 20 civis sofreram ferimentos, muitos resultantes da inalação de gás e de quedas durante a correria. Houve ainda o registro de 20 detidos, alguns por depredação e outros por descumprimento de ordens de dispersão.
O que está por trás: descontentamento multigeracional
Embora tenha nascido do engajamento digital da Geração Z, a marcha deixou claro que o descontentamento no México é amplo e atravessa faixas etárias. Para muitos, a insegurança e a falta de perspectivas econômicas alimentam um sentimento crescente de urgência por mudanças estruturais.
Analistas afirmam que, independentemente das disputas políticas, as demandas por segurança, justiça e transparência se tornaram bandeiras comuns entre jovens e adultos.
Após o protesto, membros do governo questionaram se o movimento da Geração Z era realmente espontâneo ou se havia influência de grupos oposicionistas. Autoridades chegaram a sugerir o uso de bots nas redes sociais para ampliar artificialmente a mobilização.

