Em 15 de novembro de 1889, o Brasil viveu um dos episódios mais marcantes de sua história: a Proclamação da República. A data simboliza a passagem do regime monárquico para uma nova forma de governo, após quase sete décadas sob o comando de Dom Pedro II.
Segundo a National Geographic Brasil, a mudança foi consequência de uma série de crises políticas e sociais acumuladas ao longo do século XIX. O Império já não correspondia às expectativas de parte da elite, dos militares e da população urbana, que buscavam um Estado mais moderno e descentralizado.
Militares, fazendeiros e políticos pedem mudanças
Depois da Guerra do Paraguai, o Exército se tornou mais influente, mas também mais insatisfeito com a falta de reconhecimento e as restrições impostas pelo governo imperial. A Prefeitura de São Paulo explica que o chamado “atrito militar” foi um dos principais motivos de desgaste entre Dom Pedro II e as Forças Armadas, que desejavam maior participação política.
Ao mesmo tempo, o fim da escravidão em 1888 provocou o rompimento de muitos fazendeiros com o Império. A Assembleia Legislativa de Sergipe lembra que a abolição, assinada pela princesa Isabel, ocorreu sem compensação financeira aos proprietários, o que levou parte da elite rural a aderir ao movimento republicano.
Deodoro da Fonseca assume a liderança
Com o cenário político cada vez mais instável, o marechal Deodoro da Fonseca foi convencido a chefiar o movimento que depôs o gabinete do Visconde de Ouro Preto, no Rio de Janeiro, então capital do país.
Ainda de acordo com a National Geographic Brasil, José do Patrocínio redigiu o documento que oficializou a Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil. Em seguida, foi formado um governo provisório e Deodoro assumiu a presidência da nova República.
A família imperial, surpreendida pelos acontecimentos, partiu para o exílio na madrugada de 17 de novembro. Conforme relata o Aventuras na História, Dom Pedro II, já debilitado, recebeu a notícia em Petrópolis e aceitou deixar o país com sua família, encerrando o período monárquico brasileiro.
As transformações do novo regime
Com a Proclamação, o Brasil adotou o sistema federalista, o presidencialismo e a separação entre Igreja e Estado. O voto censitário foi abolido e passou a valer o sufrágio universal masculino, embora o direito de voto ainda não alcançasse mulheres e analfabetos.
A década seguinte foi marcada por disputas entre diferentes grupos republicanos e antigos monarquistas. O país se adaptava a uma nova realidade política, tentando equilibrar ideais de modernização com velhos interesses de poder.

