Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba (SP) e filiado ao Republicanos, foi afastado do cargo por 180 dias após decisão judicial no âmbito da operação Copia e Cola, da Polícia Federal. A investigação apura suspeita de corrupção e desvio de recursos na área da Saúde do município, segundo o G1. A PF cumpriu mandados relacionados a contratos firmados pela administração e apontou possíveis irregularidades em serviços do setor.
A medida suspende temporariamente Manga do comando da Prefeitura e ocorre enquanto a investigação avança. A operação mira contratos e valores que, de acordo com os investigadores, teriam sido direcionados de forma irregular.
De vendedor de carros ao cargo mais alto da cidade
Antes da política, Rodrigo Manga trabalhava como vendedor de veículos em Sorocaba. Ele se tornou conhecido na cidade ao aparecer em programas de TV anunciando carros. O apelido “Manga” vem de uma variação do sobrenome Maganhato, que ele usa desde essa época.
Sua entrada na vida pública aconteceu no Legislativo: ele foi eleito vereador e cumpriu dois mandatos. Em 2020, venceu as eleições municipais e assumiu a Prefeitura em 2021. Quatro anos depois, em 2024, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno. Manga chegou a publicar nas redes que teve “a maior votação para prefeito da história de Sorocaba”. O site aponta que o número é verdadeiro considerando votos absolutos, mas proporcionalmente outro ex-prefeito já havia obtido percentual maior.
Formado em marketing, ele sempre apostou na comunicação para se aproximar do público.
A ascensão nas redes e o apelido de ‘prefeito tiktoker’
Manga ganhou notoriedade nacional ao usar o TikTok e o Instagram como principais vitrines de sua gestão. Ele soma milhões de seguidores nessas plataformas e viralizou com vídeos curtos mostrando obras, acompanhados do bordão: “vem morar em Sorocaba, vamos fazer a melhor cidade do Brasil para se viver”.
O prefeito explicou seu estilo: “Acho que as pessoas cansaram desse discurso chato do político, daquele discurso longo, muito técnico, que ninguém entende nada”.
Especialistas em comunicação apontam que os vídeos utilizam técnicas de marketing e, em alguns casos, informações consideradas incorretas.
Conteúdo oficial produzido por servidores e outras investigações
Quatro servidores públicos, com salários que podem chegar a R$ 19 mil, participam da produção de vídeos publicados nas redes de Manga. O Ministério Público investiga se houve uso inadequado de recursos e possível divulgação de conteúdo com desinformação, incluindo material sobre um programa municipal de emagrecimento envolvendo a fórmula de um medicamento.
Em outro caso, o Ministério Público de São Paulo pediu o bloqueio dos bens do prefeito em uma ação sobre a compra de kits de robótica em 2021, por mais de R$ 26 milhões, sob suspeita de superfaturamento e direcionamento de licitação. Os bens continuam bloqueados.
Há também uma apuração sobre a compra de um prédio para a Secretaria da Educação. O Gaeco identificou superfaturamento superior a R$ 10 milhões. Pessoas ligadas ao governo foram condenadas, embora o prefeito não tenha sido investigado nesse processo específico.
O que diz a defesa de Rodrigo Manga?
Em nota enviada ao G1, o escritório Bialski Advogados Associados afirma que a investigação “é completamente nula, porque foi iniciada de forma ilegal e conduzida por autoridade manifestamente incompetente”. A defesa sustenta ainda que se trata de “perseguição política” e reforça que “não havendo nada de concreto a relacionar o prefeito nesse inquérito policial”. Os advogados dizem que todas as medidas jurídicas estão sendo adotadas “para corrigir e reformar essa ilegalidade”.

