Os impostos estão entre as instituições mais antigas da história humana. Muito antes das moedas existirem, povos antigos já faziam oferendas aos líderes tribais como forma de agradecimento por proteção e organização social.
Segundo o portal JusBrasil, essas ofertas voluntárias evoluíram para cobranças obrigatórias, principalmente após guerras, quando os povos vencidos eram forçados a entregar parte de suas riquezas aos vencedores.
As primeiras formas de tributação
O primeiro registro conhecido de impostos aparece em uma tábua cuneiforme da cidade-estado de Lagash, na Suméria, descrevendo reformas do rei Urukagina e a cobrança de tributos abusivos. O texto data de 2.350 antes de Cristo (a.C.) e é um dos primeiros registros escritos da humanidade.
Segundo artigo da National Geographic, nessa região da Mesopotâmia, entre os rios Tigres e Eufrates na hoje África Subsaariana, os impostos podiam ser pagos com itens inusitados: como cerveja, cabras, vassouras e até pães.
No Egito Antigo, por volta de 3.000 a.C., os faraós criaram um sistema de arrecadação regular, cobrando parte das colheitas e do gado para financiar grandes obras públicas, como as pirâmides.
O imposto como pilar do Estado
Na Grécia Antiga, século VII a.C., a primeira democracia da humanidade, os tributos passaram a ser administrados pelo Estado e financiavam obras, templos e exércitos. Já em Roma, o sistema tributário atingiu sofisticação notável. Os romanos cobravam:
- Portorium: taxa sobre importação de mercadorias;
- Macellum: imposto sobre consumo de bens;
- Tributos das províncias: valores pagos pelos povos conquistados.
Esses recursos sustentaram o Império Romano e permitiram sua expansão. A perspectiva romana para a cobrança de impostos era, de fato, curiosa. Um destaque interessante para uma cobrança inusitada foi o “imposto da urina”, criado pelo imperador Vespasiano.
A urina era essencial para a fabricação de amônia, utilizada para limpeza e produção de couro – até mesmo clareador de dentes -, o que justificava a tarifa. O fato deu origem à famosa frase “pecunia non olet” (“dinheiro não fede”), como destacou o National Geographic.
Idade Média: os tributos feudais e o peso sobre o povo
Com a queda do Império Romano, os feudos se tornaram a base da economia europeia. Nesse período, os servos eram obrigados a pagar tributos aos senhores feudais, geralmente em produtos agrícolas, já que o dinheiro circulava pouco.
Os camponeses entregavam a melhor parte de suas colheitas como forma de pagamento, principalmente durante a Guerra Santa – conflito proposto pela Igreja Católica para reconquistar o território da Palestina, sagrado para a religião -. Em tempos de guerra, muitos recursos – humanos e financeiros – são gastos, o que comumente leva a miséria e pobreza nas regiões e civilizações em conflito.
A Magna Carta de 1215, na Inglaterra, foi o primeiro documento a limitar o poder dos reis de instituir tributos arbitrariamente. O período feudal marcou o início da discussão sobre limites ao poder de tributar, base do direito tributário moderno.
Impostos e o surgimento dos Estados nacionais
Com o Renascimento e o crescimento do comércio, os tributos passaram a ser cobrados em moeda e não mais em mercadorias.
Essa arrecadação foi essencial para financiar as grandes navegações, a formação dos Estados Nacionais e o fortalecimento das monarquias absolutistas. Portugal e Espanha, por exemplo, financiaram expedições marítimas com os tributos pagos por seus súditos.
No absolutismo, apenas os camponeses e a burguesia pagavam impostos, enquanto nobreza e clero eram isentos. O abuso fiscal levou à Revolução Francesa (1789), quando o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” também passou a representar a luta por um sistema tributário mais justo.
Os tributos no Brasil
De acordo com o JusBrasil, a cobrança de tributos no Brasil começou ainda no período colonial:
- 1500–1532: a Coroa Portuguesa cobrava o “quinto” do pau-brasil (20% da produção).
- Capitanias Hereditárias (1534): donatários e rendeiros recolhiam tributos em produtos como açúcar, couro e tabaco.
- Período Joanino (1808): com a vinda da família real, novos tributos foram criados para financiar a corte.
- Império e República: o sistema tributário foi se formalizando até a criação do Código Tributário Nacional (CTN), em 1966.
Hoje, o Art. 3º do CTN define o tributo como:
“Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”
Por que pagamos impostos hoje?
Na atualidade, os impostos têm papel essencial na manutenção do Estado e na garantia de direitos sociais. Eles financiam:
- Saúde, educação e segurança;
- Infraestrutura, transporte e energia;
- Previdência e programas sociais.
Contudo, como ressalta o JusBrasil, é necessário zelar pela aplicação correta dos recursos públicos e garantir que a arrecadação beneficie toda a sociedade, especialmente as camadas mais vulneráveis.

