O jornal americano New York Times divulgou na última quarta-feira (22) que, apesar da monarquia constitucional da Grã-Bretanha ser considerada uma das mais duradouras do mundo, a Coroa e o Parlamento se mantêm distantes.
Enquanto o primeiro-ministro Keir Starmer se ocupa apenas das questões de governo, o rei Carlos III evita envolvimento político e se mantém restrito aos assuntos da família real.
Entretanto, o acordo de longa data enfrentou uma tensão incomum na última semana, depois que revelações escandalosas envolvendo o príncipe Andrew – irmão mais novo do rei – vieram à tona, mostrando sua ligação com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
A situação se tornou pública após um e-mail entre Andrew e Epstein ser publicado no livro de memórias de Virginia Roberts Giuffre recentemente. Virginia foi vítima de Jeffrey Epstein. Em seu livro ela o acusou de estuprá-la ainda em sua adolescência, ele, no entanto, nega a acusação.
Após essa publicação, pedidos para que o príncipe Andrew fosse destituído de seu título familiar começaram a surgir, entretanto, a medida só seria possível diante de uma lei do parlamento.
Segundo o governo, a responsabilidade de retirar os títulos de Andrew é do rei, e não do primeiro-ministro, Starmer. Fontes do Palácio de Buckingham destacam que não seria adequado para o monarca se manifestar sobre uma medida parlamentar que possa exigir sua aprovação real.
O especialista em monarquia constitucional do King’s College London, Vernon Bogdanor disse ao NYT: “O argumento de que se trata apenas de uma questão da família real não se sustenta. Nossa monarquia, desde 1689, tem sido parlamentar. Ela só existe enquanto o Parlamento, representando o povo, quiser que ela continue”
Um projeto de lei que dá autoridade ao rei, de revogar títulos reais por vontade própria, foi apresentado pelo parlamentar trabalhista Rachael Maskell. Entretanto, o projeto não tem apoio do governo e há poucas chances de ser aprovado.
Andrew anunciou na última sexta-feira (17), que deixaria de usar o título de “Duque de York”, após pressão do príncipe Charles. Entretanto, oficialmente, ele não perdeu o título de príncipe, nem seu ducado – que são previstos na prerrogativa real de 1917, a conhecida Carta Patente.
Segundo especialistas, o título de Andrew poderia ser retirado caso houvesse uma alteração na Carta Patente, entretanto, a medida trata-se de uma ação tão grave e significativa que provavelmente só ocorreria com um acordo prévio entre o rei e o governo.

