Publicidade
Geopolítica

OpenAI lança navegador Atlas e ameaça domínio da Google

Com o lançamento, a empresa propõe repensar a forma de usar um navegador

OpenAI lança navegador Atlas e ameaça domínio da Google

A OpenAI anunciou na última terça-feira (21) o lançamento de um novo navegador de internet integrado ao ChatGPT. Chamado Atlas, o software bate de frente com o domínio do Google Chrome enquanto principal ferramenta de busca e que, recentemente, também ganhou recursos de Inteligência Artificial na navegação.

Semelhante à criação das abas nos anos 2000, o novo produto da empresa de Sam Altman promete revolucionar a maneira de utilizarmos os navegadores.

Publicidade

“A IA representa uma oportunidade única, que surge talvez uma vez por década, para repensar a função de um navegador”, destacou Altman durante o evento de lançamento.

O Atlas integra o ChatGPT em uma barra lateral do navegador, através da função “Perguntar ao ChatGPT”, segundo informações do O Globo. Dessa forma, o usuário consegue fazer com que a IA interaja diretamente com o conteúdo da página, sendo capaz de interpretar, resumir, verificar dados e obter explicações em tempo real.

O navegador também inclui um agente autônomo de IA, que pode realizar tarefas como preencher formulários, comparar produtos, abrir abas, criar lembretes e executar processos inteiros mediante autorização do usuário, destacou a OpenAI.

O ChatGPT Atlas já está disponível para produtos macOS, hoje para usuários do Free, Plus, Pro e Go. Para dispositivos Windows, iOS e Android serão disponibilizadas em breve, segundo a companhia.

Assista a anúncio da OpenAI na íntegra

Mais do que um navegador com IA

O navegador foi construído sobre a base do Chromium, o mesmo código usado por Chrome e Edge, mas com infraestrutura própria para integrar o modelo GPT-5. Em setembro, reportou O Globo, o Google incorporou seu modelo de IA, o Gemini, ao navegador Chrome. Com a implementação, o navegador ganha funções complementares, como resumir informações de várias abas e até reabrir sites fechados anteriormente.

A OpenAI promete bater de frente com o Google, que domina o mercado há quase duas décadas, oferecendo uma tentativa de reconfigurar a porta de entrada da internet com o Atlas. A ideia é centralizar o tráfego na web para dentro do ecossistema OpenAI.

Em termos geopolíticos, o lançamento traz à luz a disputa pelo controle de infraestruturas cognitivas da internet. O Google impactou a forma como as pessoas buscam e encontram informações e agora, a OpenAI quer moldar como as pessoas pensam e interagem com essas informações.

Em julho deste ano, o Intercept Brasil reportou intenções da empresa em oferecer serviços de processamento de dados em escala global que beneficiem a perspectiva ocidental e, principalmente, norte-americana. O jornal qualificou o anúncio do chamado “OpenAI para países” como “ultranacionalismo benevolente em que liberdade e prosperidade são asseguradas pela prevalência do domínio dos EUA”, citando documentos oficiais dos Estados Unidos na apuração.

Automação e riscos

O sistema de memórias do Atlas permite que a IA aprenda com os hábitos de navegação e ofereça recomendações personalizadas ao usuário. Essa funcionalidade, porém, é opcional, dando ao usuário autonomia para apagar registros, usar modo privado e bloquear sites específicos. A empresa promete que o controle de privacidade estará sempre “nas mãos do usuário”.

“Os recursos do agente do ChatGPT ainda apresentam riscos. Além de simplesmente cometerem erros ao agir em seu nome, os agentes estão suscetíveis a instruções maliciosas ocultas, que podem estar ocultas em locais como uma página da web ou e-mail com a intenção de anular o comportamento pretendido do agente do ChatGPT. Isso pode levar ao roubo de dados de sites nos quais você está conectado ou à execução de ações que você não pretendia.” Alerta a empresa.

O novo lançamento, segundo a OpenAI, marca um passo em direção a um futuro em que a maior parte do uso da web acontecerá por meio de agentes automatizados. Portanto, é importante que os usuários ponderem as compensações ao decidir quais dados fornecer à IA, priorizando a segurança da informação.

Brasil

No Brasil, em esfera regulatória, a integração de IA à navegação exige atualização da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e diretrizes claras sobre consentimento e responsabilidade por decisões automatizadas. Atualmente, “o cenário das ferramentas de IA para privacidade varia do baixo ao assustador”, destaca Luca Belli, professor da Fundação Getúlio Vargas, em entrevista ao site Consultor Jurídico em abril deste ano.

No setor de mídia, há preocupação com a perda de tráfego de leitores, uma vez que o ChatGPT pode fornecer respostas diretas sem redirecionar aos sites originais, o que implica também na confiabilidade da origem das informações coletadas, conforme destaca o Jornal da USP.

Por fim, há o desafio da soberania digital, uma vez que o Brasil depende de tecnologia estrangeira para regulação da Inteligência artificial, o que enfraquece o controle de dados e decisões ligadas ao tema, conforme destaca Gustavo Macedo, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, e professor no curso de Relações Internacionais do Ibmec, em artigo publicado no Correio Braziliense.

Segundo Macedo, essa dependência faz com que o desenvolvimento tecnológico aconteça sem a participação efetiva brasileira. O texto defende que o país deve investir em inovação e regulação própria para garantir a autonomia no ambiente digital.