O preço do ouro registrou nesta terça-feira (21) a maior queda em 12 anos, enquanto a prata teve o pior tombo desde 2021. O movimento aconteceu após semanas de alta recorde e reflete uma correção do mercado, puxada pela valorização do dólar, pela realização de lucros e pela redução na busca por proteção entre investidores. As informações são da Bloomberg, divulgadas pelo editorial da InfoMoney.
Segundo o veículo, o ouro à vista caiu até 6,3%, chegando a US$ 4.082 por onça (unidade padrão usada para medir o peso dos metais preciosos, 1 onça equivale a cerca de 31 gramas). Já a prata recuou 8,7%, cotada a US$ 47,89 por onça.
Por que o ouro caiu tanto?
O ouro vinha de um rali histórico, ou seja, uma sequência de altas rápidas e intensas. Esse movimento foi impulsionado por fatores como inflação global elevada, tensões políticas e incertezas sobre os juros nos Estados Unidos. Contudo, o mercado começou a ajustar posições após as últimas valorizações.
Em outras palavras, muitos investidores decidiram vender parte do que haviam comprado para realizar lucros movimento típico após fortes altas. Além disso, o fortalecimento do dólar pesou sobre as cotações.
O ouro é negociado em dólar no mercado internacional, quando a moeda americana sobe, o metal se torna mais caro para quem compra em outras moedas, reduzindo a demanda.
Fatores externos
Segundo especialistas ouvidos pela Bloomberg, a perspectiva de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, para discutir comércio, diminuiu o interesse por ativos considerados “seguros”, como o ouro, e tende a encarecer o dólar. Nessa lógica, a projeção de uma estabilidade econômica aumenta o apetite pelo risco, portanto, diminui o interesse pelo ouro. Assim, se qualifica a queda da demanda por proteção.
Outro ponto, destacou a XP, foi a paralisação do governo americano (shutdown), que suspendeu temporariamente a divulgação de dados sobre o posicionamento de grandes fundos de investimento. Sem essas informações, o mercado ficou mais volátil e vulnerável a movimentos especulativos.
“A ausência de dados de posicionamento ocorre em um momento delicado, com possível acúmulo de posições compradas especulativas em ambos os metais, tornando-os mais vulneráveis a correções”, disse Ole Hansen, estrategista de commodities do Saxo Bank AS, à Bloomberg News.
E a prata?
A prata, que havia acumulado alta de quase 80% em 2025, também sofreu uma correção forte. O metal vinha sendo impulsionado pelos mesmos fatores que o ouro (inflação, dólar fraco e busca por proteção), além de uma escassez temporária no mercado de Londres, pontuou o jornal.
“É durante as correções que a verdadeira força de um mercado é revelada, e desta vez não deve ser diferente, com uma demanda subjacente provavelmente limitando qualquer recuo.”, avalia Hansen.
Nos últimos dias, estoques de prata caíram tanto em Nova York quanto em Xangai, mas o movimento de realização de lucros e o fortalecimento do dólar derrubaram os preços.
Vale a pena investir em metais preciosos agora?
Para especialistas da XP, o ouro continua sendo um ativo de proteção importante, mas o momento pede cautela. A instituição financeira avalia o ouro como o “um porto seguro” para investimentos em tempos de crise, devido sua estabilidade.
No entanto, Tatiana Darie, estrategista macro-economica da Bloomberg, avalia que a correção pode persistir no curto-prazo:
“se dados atrasados eventualmente revelarem uma economia dos EUA mais robusta do que o esperado, uma correção maior do ouro pode não estar distante.”
O investimento em ouro pode ser feito de várias formas:
- Ouro físico, em barras compradas em corretoras autorizadas;
- Contratos futuros, negociados na B3;
- Fundos e ETFs que seguem a cotação internacional do metal;
- Ações de mineradoras, como a Aura Minerals (AURA33)
Em todos os casos, o ideal é usar o ouro como parte da carteira de investimentos, não como aposta isolada, destaca a XP.

