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Geopolítica

Brasil e China ampliam cooperação agrícola em novo programa ambiental

Iniciativa voltada à recuperação de terras degradadas estimula investimentos estrangeiros e fortalece o uso de tecnologias sustentáveis

Brasil e China ampliam cooperação agrícola em novo programa ambiental

O Governo Brasileiro apresentou à China o programa Caminho Verde Brasil, voltado à recuperação de áreas degradadas e à promoção da produção sustentável. A iniciativa traz à tona a parceria entre os dois países e abre novas oportunidades de investimento, segundo o Infobae.

Projeto busca restaurar milhões de hectares

O Caminho Verde Brasil tem como meta recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em dez anos. O projeto foi apresentado em Santos (SP) a representantes do Departamento de Relações Econômicas Internacionais da China, que demonstraram interesse e discutiram propostas de cooperação.

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O Ministério da Agricultura e Pecuária já dispõe de R$ 30,2 bilhões, cerca de US$ 5,5 bilhões, para a primeira etapa, por meio do programa Eco Invest Brasil. A fase inicial pretende restaurar até 3 milhões de hectares de terras com baixa produtividade. Os recursos serão distribuídos entre os principais biomas: R$ 3,5 bilhões para a Amazônia, R$ 3 bilhões para a Caatinga, R$ 1,2 bilhão para a Pampa e R$ 1,1 bilhão para o Pantanal.

O modelo de investimento será duplo. Em um formato, estrangeiros podem se tornar acionistas minoritários de propriedades rurais. No outro, o reembolso do financiamento será feito com parte da produção agrícola obtida após a recuperação das áreas.

Produção sustentável e incentivos financeiros

O objetivo do programa é ampliar a produção de alimentos e biocombustíveis sem necessidade de abrir novas áreas, em alinhamento com a agenda de transição energética e preservação ambiental. Os produtores que aderirem à iniciativa terão acesso a linhas de crédito com juros reduzidos, oferecidas por dez bancos, desde que assumam o compromisso de evitar o desmatamento e realizem balanços anuais de carbono.

O interesse da China na proposta está ligado à busca por diversificação da produção de soja fora de seu território. O país asiático já iniciou o cultivo em regiões da África e pretende expandir a pesquisa e o desenvolvimento de variedades de soja adaptadas a diferentes climas tropicais.

Expansão chinesa em biotecnologia agrícola

Empresas privadas chinesas também têm ampliado investimentos no Brasil, especialmente no setor de biotecnologia e genética vegetal. Uma dessas companhias planeja alcançar 30% do mercado brasileiro nesse segmento nos próximos dez anos, com foco em tecnologias resistentes a pragas e herbicidas.

Entre as iniciativas previstas está a construção de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento no país. A empresa também trabalha em variedades de plantas mais tolerantes a fungos e insetos, incluindo aquelas que combatem a roya asiática da soja e o picudo do algodão.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que o Brasil exporte 112 milhões de toneladas de soja neste ano, um aumento em relação às 106 milhões da safra anterior. A estatal projeta ainda uma alta de 3,6% na produção para o ciclo 2025/2026, impulsionada pela ampliação da área plantada e pela recuperação da produtividade no Rio Grande do Sul.