O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou na última quarta-feira (15), que a ação abrangente da China para aumentar seu controle sobre materiais de terras raras “nada mais é do que uma tomada de poder na cadeia de suprimentos global“.
A declaração aconteceu durante uma coletiva de imprensa sobre as relações comerciais dos EUA com a China, junto ao secretário do Tesouro, Scott Bessent. Logo depois, em sua conta do X (antigo Twitter), Greer afirmou que a administração do Presidente Donald Trump não permitirá um suposto domínio da China sobre terras raras.
Vale lembrar que as terras raras são elementos químicos usados como matéria-prima para itens de tecnologia como chips e semicondutores — a China detém cerca de 80% dessa produção.
Confira a declaração de Greer, em tradução livre para o português:
“A China anunciou uma ampla expansão de seus controles de exportação sobre elementos de terras raras e equipamentos de processamento de terras raras, bem como tecnologias relacionadas a baterias, veículos, diamantes industriais e materiais superduros. Para deixar claro, isso não diz respeito apenas aos Estados Unidos. Essas ações, se implementadas, se aplicariam a todo o mundo. O anúncio da China não é nada mais do que uma tentativa de dominar a cadeia de suprimentos global.
Embora a China tenha tomado uma série de medidas comerciais retaliatórias contra os Estados Unidos, Europa, Canadá, Austrália e outros nos últimos anos, essa medida não é uma retaliação proporcional. É um exercício de coerção econômica sobre todos os países do mundo”.
China’s sweeping action to tighten its grip over rare earth materials is nothing short of a global supply chain power grab.
— United States Trade Representative (@USTradeRep) October 15, 2025
@POTUS and his administration will not allow China’s chokehold of rare earths to stand. pic.twitter.com/YjP5wpJTTu
No início da semana, O Brasilianista mostrou que a China respondeu a ameaça de Trump de taxar produtos chineses em mais 100% a partir de novembro, indicando que não terá medo de uma possível guerra tarifária.
Comentários sobre as tarifas contra o Brasil
Na mesma coletiva, Greer e Bessent comentaram sobre as tarifas de 40% aplicadas sobre o Brasil — que exporta produtos aos EUA com taxas de 50% desde agosto.
O representante comercial afirmou que 40% do tarifaço aplicado a produtos brasileiros estão relacionados às “preocupações extremas com o Estado de Direito, a censura e os direitos humanos” no Brasil. As informações são do Metrópoles.
Já o secretário do Tesouro americano afirmou que houve “detenção ilegal de cidadãos americanos que estavam no Brasil”.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu nesta quinta-feira (16) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na Casa Branca. De um lado, o Brasil tenta rever as tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump em produtos nacionais, do outro, os EUA estão interessados em assuntos estratégicos como terras raras e também no PIX.
A reunião foi um preparatório para o encontro entre Lula e Trump, que deve ocorrer ainda neste mês na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

