Muito antes de o Brasil oficializar o Dia do Professor como data nacional, uma mulher negra e catarinense já havia transformado a valorização dos educadores em lei. Em 1948, a professora e jornalista Antonieta de Barros, primeira deputada negra eleita no país, apresentou o projeto que instituiu o Dia do Professor em Santa Catarina.
A proposta, aprovada pela Assembleia Legislativa à época e sancionada pelo então governador, José Boabaid, transformou o 15 de outubro em um marco estadual de homenagem aos educadores.
Mas foi apenas em 1963 que o então presidente João Goulart assinou o decreto federal que oficializou a data em âmbito nacional, associando-a à lei de 1827 que criou as escolas de ensino elementar no Brasil, durante o Império de Dom Pedro I.
“Não há quem não reconheça, à luz da civilização, o inestimável serviço do professor”, escreveu Antonieta ao justificar seu projeto. As informações foram compartilhadas pelo G1.
Trajetória
Antonieta nasceu em 1901 na antiga Desterro, atual Florianópolis, e foi uma das grandes vozes em defesa da educação de qualidade, da emancipação das mulheres e da valorização da cultura negra no Sul do país.
Ela foi professora de português e psicologia, fundou sua própria escola, onde lecionava para adultos e moradores de comunidades carentes.
Eleita deputada estadual em 1934, pelo Partido Liberal Catarinense, Antonieta também foi a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira em uma Assembleia Legislativa no Brasil, desafiando as estruturas raciais e de gênero de uma época ainda marcada pela exclusão e pelo preconceito.

