A desigualdade de salários entre gêneros e raças segue no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o Censo de 2022, divulgado pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (09), o rendimento mensal de todos os trabalhos dos homens superou em 24,3% o das mulheres.
Os dados indicam que os homens brasileiros ocupados (empregados formalmente) receberam, em média, R$ 3.115 por mês durante 2022. Ao mesmo tempo, as mulheres ganharam cerca de R$ 2.506 mensalmente. A média nacional ficou em R$ 2.851 naquele ano.
Além disso, os homens ocupados recebiam rendimentos mensais de todos os trabalhos superiores aos das mulheres em qualquer nível de instrução analisado. Para os brasileiros com ensino superior completo, os trabalhadores homens recebem em média R$ 7.347, enquanto as trabalhadoras ganham 37,5% a menos — com média salarial de R$ 4.591.
Mulheres compõem 60% dos profissionais das ciências e intelectuais
Apesar de representarem 43,6% da população ocupada do país e com menor salário, as mulheres têm forte presença em três grupos de profissionais analisados pelo IBGE: trabalhadores das ciências e intelectuais (60,8%), trabalhadores de apoio administrativo (64,9%) e trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (58,9%).
A participação feminina foi inferior a 10% apenas em dois grandes grupos: operadores de instalações e máquinas e montadores (7,4%) e membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares (9,3%).
Segundo o Censo, as atividades com maior ocupação feminina foram:
- Serviços domésticos (93,1%);
- Saúde humana e serviços sociais (77,1%);
- Educação (75,3%);
- Outras atividades de serviços (66,8%);
- Alojamento e alimentação (61,2%).
Já as seções com menor representatividade das brasileiras foram Construção (3,6%), Transporte, armazenagem e correio (9,3%) e Indústrias extrativas (14,4%).
Recorte racial também mostra disparidade entre salários
O IBGE revela que o recorte por cor ou raça mostrou rendimentos mais elevados para a população amarela (R$ 5.942) e branca (R$ 3.659), situadas bem acima da média nacional (R$ 2.851). As pessoas dessas duas categorias de raças ocupam os maiores salários mensais em qualquer nível de instrução.
Já os brasileiros de cor ou raça parda recebem R$2.186 em média, enquanto a população preta (R$ 2.061) e indígena (R$ 1.683) são as piores remuneradas do país.
A maior disparidade é evidenciada nos ocupados com nível Superior completo: Amarelos recebem R$ 8.411 e Brancos ganham $ 6.547 em média, ao mesmo tempo que Pardos, Pretos e Indígenas recebem R$ 4.559, R$ 4.175 e R$ 3.799, respectivamente.

