O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (07) estar confiante nas negociações com os Estados Unidos sobre o chamado “tarifaço”, que impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros. Segundo o G1, Haddad destacou que a diplomacia do Brasil tem força suficiente para conduzir as tratativas, independentemente do interlocutor escolhido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
“Independentemente de quem seja designado, a diplomacia brasileira, com os argumentos que tem, vai saber superar esse momento”, afirmou o ministro. Ele avaliou que há vantagens mútuas em manter relações próximas entre os dois países, especialmente no campo comercial.
Lula e Trump mantêm diálogo direto
As declarações de Haddad ocorrem um dia após a conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. O contato, que durou cerca de 30 minutos, foi descrito como “amistoso” pelo governo brasileiro, segundo nota divulgada à imprensa e reproduzida pelo portal O Brasilianista.
Durante a ligação, Lula pediu a retirada das sobretaxas impostas em agosto sobre produtos nacionais. Trump, por sua vez, indicou Marco Rubio para dar continuidade às negociações, em conjunto com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o próprio Haddad.
Em sua rede social Truth, Trump afirmou ter tido “uma ótima ligação telefônica com o presidente Lula”, destacando que a conversa tratou principalmente de temas econômicos e comerciais. Os líderes também discutiram a possibilidade de um encontro presencial e o convite feito por Lula para que Trump participe da COP30, em Belém (PA).
Ministro da Fazenda prevê redução de tensões
Haddad demonstrou confiança de que o diálogo direto entre Lula e Trump pode amenizar as tensões recentes. “Acredito que vai distensionar e abrir espaço para uma conversa franca. Foi uma largada equivocada, mas que vai ser superada”, declarou o ministro.
Ele também reforçou que o Brasil não pretende alterar sua estratégia de negociação, apostando na força dos argumentos diplomáticos. “Estamos tão confiantes nos nossos argumentos que entendemos que eles vão se fazer valer pela diplomacia brasileira, que é das melhores do mundo”, disse.
Destacou ainda que o tarifaço também tem causado impacto nos próprios Estados Unidos, já que produtos brasileiros, como café e carne, ficaram mais caros para o consumidor americano. “Eles estão com café da manhã mais caro, café mais caro, carne. Eles estão notando que as medidas mais prejudicaram do que favoreceram os EUA”, completou.
Marco Rubio e o papel nas negociações
Designado por Donald Trump para conduzir as conversas com o Brasil, Marco Rubio nasceu em Miami, filho de imigrantes cubanos e é conhecido por suas posições firmes em temas de política externa.
Segundo análise de Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional: “A escolha era esperada, mas não é necessariamente ideal. Porém, é importante lembrar que ele não é um negociador, ele é muito mais um comunicador”. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao O Brasilianista.
De acordo com Thiago, a nomeação de Rubio “abre um novo capítulo de negociação dos dois lados” e reduz a influência de figuras mais ideológicas na mediação entre os governos. Para ele, as tratativas agora devem se concentrar em temas técnicos, conduzidas por representantes da área econômica norte-americana, como Jamieson Greer e Dani Watson, do USTR.
Perspectivas para o comércio bilateral
O Governo Brasileiro espera que a retomada do diálogo direto com os Estados Unidos reduza as barreiras tarifárias e fortaleça as relações comerciais. Atualmente, os EUA aplicam uma alíquota de 10% sobre produtos brasileiros, com sobretaxa adicional de 40%, totalizando 50%.
A medida foi justificada pela Casa Branca como uma resposta a práticas comerciais consideradas injustas, mas o país defende que o comércio entre as duas nações é vantajoso para ambas as partes e deve ser preservado.

