As Forças Armadas do Brasil levaram na última semana cerca de 10 mil militares, além de equipamentos como sistemas de mísseis, caças, blindados e navios para a Operação Atlas 2025, na região da Amazônia próxima à fronteira da Venezuela e Guiana. A operação é um treinamento de guerra que está previsto para acontecer entre os dias 2 e 11 de outubro.
O treinamento tem o objetivo de verificar se as Forças Armadas estão preparadas para defender a soberania do Brasil e a Amazônia, considerada uma região estratégica, em caso de conflito em território nacional. Segundo o governo, a Operação Atlas é realizada nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima — há ainda algumas etapas realizadas no Espírito Santos e em Goiás.
Unindo o Exército, a Aeronáutica e a Marinha, a operação coordenada pelo Ministério da Defesa simula um cenário de guerra em que será necessário realizar o deslocamento de recursos humanos e materiais de diferentes regiões do país para a Amazônia. Vale lembrar que o treinamento acontece em meio ao aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Venezuela.
A fase atual, de exercício no terreno, contempla atividades em meios terrestres, aéreos e fluviais, com a realização de ações em diferentes cenários: nos rios, em terra firme, no mar e no espaço aéreo. O Ministério da Defesa afirma que o foco é ampliar a capacidade das Forças Armadas de atuarem de forma coordenada, além de testar os sistemas de Comando e Controle em um ambiente desafiador como a região amazônica.
Etapas da Operação Atlas
O treinamento de guerra das Forças Armadas do Brasil começou no final de junho e segue até o início de dezembro, com etapas de planejamento, deslocamento estratégico, ações e análises finais. Confira o cronograma:
- Fase 1 – Planejamento Integrado (30/06 – 11/07): ocorre na Escola Superior de Defesa, em Brasília, momento em que são definidos os procedimentos de deslocamento estratégico, os sistemas de comando e controle, além da análise de cenários e problemas simulados;
- Etapa Atlas Armas Combinadas (07/09 – 16/09): realização de fogos reais e ações táticas, simulando a conquista e defesa de objetivos militares em Formosa (GO).
- Fase 2 – Deslocamento Estratégico (27/09 – 01/10): movimentação de pessoal e equipamentos militares em direção à área de atuação na Amazônia e na região marítima da foz do Amazonas;
- Fase 3 – Exercício no Terreno (02/10 – 11/10): execução das ações previamente planejadas;
- Etapa Atlas Anfíbia (26/11 – 06/12): operações marítimas e desembarque de tropas no litoral do Espírito Santo.
Tensões na fronteira com a Amazônia
A operação que leva cerca de 10 mil militares e equipamentos à fronteira da Amazônia com a Venezuela e Guiana acontece ao mesmo tempo em que há aumento das tensões militares na região.
Durante agosto, uma movimentação militar dos EUA em águas próximas ao território venezuelano enviou sete navios de guerra e um submarino com propulsão nuclear — com mais de 4500 marinheiros e fuzileiros navais. As informações são da CNN.
José Múcio, ministro da Defesa, declarou estar preocupado que a fronteira do Brasil com a Venezuela se transforme em uma “trincheira” e enviou tropas para a região em setembro, visando evitar que a área se torne palco de um conflito regional.
Em abril, o governo de Nicolás Maduro ameaçou a Guiana com a possibilidade de invasão militar na disputa pelo território do Essequibo, área rica em petróleo e alvo de contencioso histórico entre os dois países.
O governo guianense, por sua vez, tem reforçado a cooperação com Washington e intensificado a retórica contra Caracas. Georgetown, capital da Guiana, acusa Maduro de “ameaça direta à integridade territorial” e já sinalizou que pretende acionar novamente organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), para conter os avanços venezuelanos.

