O vice-governador, Rodrigo Garcia. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Embora as prévias do PSDB ocorram apenas em novembro, o governador de São Paulo (SP), João Doria, ganha terreno na disputa. Na semana passada, o ex-presidente FHC, que já havia manifestado publicamente seu apoio a João Doria, gravou um vídeo em favor do governador paulista.

Segundo FHC, “as prévias não excluem ninguém, mas escolhem. Eu já disse quem vou escolher: é o João. Por quê? Não é só porque eu sou de SP e ele também. É porque é bom para o Brasil. Qual é o x da política? É a capacidade de juntar. Quem junta mais? É o Doria neste momento”.

A manifestação de FHC ajuda Doria a quebrar parte das resistências que o governador possui junto aos caciques tucanos e também em lideranças do comando nacional do PSDB. Em outro movimento, na última quinta-feira (18), Doria participou do ato de filiação de Tomás Covas, filho do falecido ex-prefeito Bruno Covas, ao partido. Embora tenha apenas 16 anos, Tomás, que estagiará no governo Doria, sinaliza que irá fazer política. Ao se associar a Tomás Covas, João Doria também faz um gesto em direção aos seguidores da família Covas.

Visando aumentar a visibilidade nacional de seu governo, Doria, na última sexta-feira (20), nomeou o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (sem partido-RJ) para a Secretaria estadual de Projetos e Ações Estratégicas em SP. Maia, que deve se filiar ao PSD, seguindo o movimento do prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Eduardo Paes, ajudará Doria na articulação de alianças para 2022 – se o governador vencer as prévias.

Outro aspecto importante na posse de Maia foi a participação do presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo (PE).

Além de Maia, Doria conta com outros nomes de peso nacional em seu governo como, por exemplo, o secretário da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e o secretário dos Transportes, Alexandre Baldy (PP).

João Doria e Rodrigo Maia defenderam a necessidade de um governo liberal na economia que produza estabilidade política. Maia também manifestou seu apoio a Doria para 2022, sem descartar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Maia também defendeu a construção de um novo caminho à polarização e falou de sua proximidade com o PSDB, lembrando que integrou a base do governo FHC. Maia mirou o presidente Jair Bolsonaro ao dizer que o objetivo é tirá-lo do segundo turno.

Rodrigo Maia falou que sua prioridade é a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Através da pauta liberal na economia, o governo Doria faz sinalizações em direção ao mercado e deseja se viabilizar como uma alternativa de direita reformista ao bolsonarismo.

Em outro movimento visando o cenário nacional, João Doria anunciou a realização de um encontro, nesta segunda-feira (23), com 24 dos 27 governadores. A pauta da reunião será a defesa da democracia, das instituições e a criação de um consórcio para buscar fundos ao meio ambiente. Também será debatido a tentativa de destravar a reforma tributária no Congresso.

Apesar do governador do Rio Grande do Sul (RS), Eduardo Leite, o senador Tasso Jereissati (CE) e o ex-prefeito de Manaus (AM) Arthur Virgílio Neto também serem pré-candidatos ao Palácio do Planalto, Doria, a partir dos últimos movimentos, ganhou força e hoje é o favorito para vencer as prévias do PSDB.

No entanto, Doria terá o desafio de administrar a saída do ex-governador Geraldo Alckmin do PSDB, que está sendo costurada. Alckmin deve migrar para o PSD, dividindo o partido em SP e criando obstáculos ao projeto de Doria de eleger o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB).

Outro problema tanto para João Doria quanto para o PSDB é a fragmentação do centro, que tem ainda o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que poderá se filiar ao PSD, os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (DEM), Ciro Gomes (PDT) e Sérgio Moro (Sem partido), e o apresentador José Luiz Datena (PSL) como opções.

Apesar desses obstáculos, a terceira via sonha com uma alteração de cenário na sucessão do próximo ano. O pessimismo mostrado pelos agentes econômicos por conta do risco de deterioração do quadro fiscal, combinada com a elevada inflação e o alto desemprego, provocando uma perda de popularidade de Jair Bolsonaro – a avaliação negativa do governo supera os 50% nas últimas pesquisas – pode mexer no quadro sucessório.

Mesmo que Bolsonaro tenha uma base social bastante consolidada, contando com cerca de 30% de apoio, o que garantiria o presidente no segundo turno para enfrentar o ex-presidente Lula (PT), os desafios até 2022 são significativos.

É neste desgaste de Bolsonaro que o centro aposta para recuperar o espaço na polarização com o PT, que de 1994 a 2014 foi ocupado pelo PSDB, mas em 2018 foi perdido para o bolsonarismo.

O fortalecimento de Doria nas prévias nacionais também joga a favor do vice-governador de SP, Rodrigo Garcia (PSDB), na disputa interna que definirá o candidato do partido ao Palácio dos Bandeirantes. Com a provável saída de Alckmin do PSDB, o que deverá ocorrer em breve, o nome de Garcia deve se consolidar como o candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes em 2022.