Cartaz da campanha de Alckmin ao governo de São Paulo, em 2010. Foto: PSDB/Divulgação

Em entrevista concedida à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos (SP), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) admitiu publicamente que trocará de partido. Segundo Alckmin, a definição deverá ocorrer nas próximas duas semanas.

Embora seja um tucano histórico, Alckmin começou a perder espaço no PSDB após a campanha presidencial de 2018, quando recebeu cerca de 5% dos votos, o pior desempenho da história do partido numa eleição ao Palácio do Planalto.

Nos últimos meses, Geraldo Alckmin começou a cogitar a saída depois que o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, deixou o DEM para se filiar ao PSDB. Com isso, Doria abriu caminho para seu plano de sucessão tendo Garcia como candidato, isolando Alckmin.

O ex-governador foi o padrinho político de Doria quando este se tornou prefeito de São Paulo em 2016. Eles foram aliados até um ano depois, quando Doria passou a almejar a candidatura ao Planalto, posto que estava reservado para Alckmin. Após a ruptura, aliados de Alckmin passaram a se referir a Doria como “traidor” e ele passou a sofrer resistência interna no partido.

O futuro político do ex-governador já vem sendo discutido nos bastidores com legendas como o PSD, de Gilberto Kassab, e o DEM. Alckmin também recebeu convites para migrar para outras siglas como PSL, Podemos e PSB.

Ainda assim, ele está mais próximo do PSD, já que é a sigla que tem mais estrutura partidária e, segundo avaliação de Alckmin, tem mais condições de construir um arco de alianças para disputar o executivo estadual.

Sobre uma possível candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, Alckmin afirmou na mesma entrevista que, se for o pensamento do povo de SP, é “nosso dever sempre estar à disposição para servir à população”.

Em meio às especulações, o ex-governador disse que ainda não tem data para sair do PSDB e afirmou que ainda não decidiu qual sigla será o seu destino.

Em busca de apoio

Enquanto Alckmin ainda ensaia a saída do PSDB, ele procura ampliar sua articulação com prefeitos e tem viajado o interior do estado, onde tradicionalmente teve apoio por seu estilo simples e por dar atenção mesmo a mandatários de municípios pequenos. Doria costumava sofrer críticas de prefeitos que reclamavam que não eram recebidos.

Embora Alckmin e Doria tenham tentado manter uma relação cordial, aliados dizem que o ex-governador não superou a “traição”.

A mudança de partido de Geraldo Alckmin tende a provocar importantes alterações no tabuleiro das eleições de 2022 ao Palácio dos Bandeirantes. Caso parte do PSDB acompanhe o movimento de Alckmin, o PSDB perderá força em sua principal vitrine política – São Paulo.

Caso Alckmin concorra novamente a governador, o que é bastante provável, o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que representará o governo João Doria (PSDB) no pleito de 2022, mesmo contando com o controle da máquina, terá um adversário de peso disputando a mesma fatia do eleitorado.

Com Geraldo Alckmin na disputa, a chapa vitoriosa de 2014, tendo o ex-governador Márcio França (PSB) como vice, poderá ser reeditada. Com França ao lado de Alckmin, o desejo do ex-presidente Lula (PT) em atrair o apoio do PSB no Estado perde força.

Como consequência, a esquerda pode se fragmentar, já que o PT deve ter o ex-prefeito Fernando Haddad como candidato e o PSOL ensaia o lançamento de Guilherme Boulos.

Outros pré-candidatos

No campo da direita, também há fragmentação. O presidente Jair Bolsonaro deve ter um candidato no maior colégio eleitoral do país. O nome mais provável é do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas (Sem partido), que poderia concorrer pelo PTB.

Além de Tarcísio, nomes como os ex-ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Abraham Weintraub (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) também são possiblidades no campo bolsonarista. E há ainda o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL) e o ex-presidente da FIESP Paulo Skaf (MDB) entre os especulados.

No caso de Skaf, a tendência é que ele saia do MDB. Embora seja cotado como um possível candidato associado ao bolsonarismo, nas últimas semanas cresceu a aproximação dele com Geraldo Alckmin e Márcio França. O desejo do PSD é que Alckmin concorra a governador pelo partido, tendo França como vice e Skaf disputando o Senado.

Além desses nomes, também devem surgir candidaturas na direita liberal como, por exemplo, o deputado federal Vinicius Poit (Novo) e o deputado estadual Arthur do Val (Patriota).