Sucessão de 2018 tem a marca da imprevisibilidade


Para saber mais sobre a crise política, leia:
NÃO BASTA INDIGNAÇÃO – Murillo de Aragão
TIROTEIO FINAL – André Gustavo
Compartilhe pelo Whatsapp: http://bit.ly/2tgOh70

O Datafolha divulgou mais uma pesquisa sobre a sucessão presidencial de 2018. As principais conclusões tendo como base os números apresentados pela sondagem são os seguintes:

  • Ancorado no eleitorado tradicional de esquerda (30%), o ex-presidente Lula (PT) lidera todos os cenários em que seu nome é incluído nas simulações. Embora tenha um lugar bem encaminho no segundo turno caso juridicamente reúna as condições de ser candidato, sua elevada rejeição (46%) é um obstáculo a uma nova vitória;
  • Há um empate no segundo lugar entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e a ex-senadora Marina Silva (REDE). Sendo Lula candidato, Bolsonaro tem mais chances de chegar ao segundo turno, pois seu perfil conservador está mais sintonizado com os atributos de imagem demandados pelo mercado eleitoral. Com Lula no jogo, Marina, por sua vez, teria dificuldades para crescer à esquerda;
  • O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), tem hoje a mesma densidade eleitoral. Como Doria é menos conhecido, rejeitado e possui um perfil mais à direita, ele tem mais condições de competitividade que o governador. No entanto, hoje é real o risco dos tucanos sequer chegarem ao segundo turno;
  • Nomes ligados ao Poder Judiciário aparecem bem posicionados. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa aparece tecnicamente empatado em segundo lugar quando seu nome é incluído. O mesmo ocorre quando o juiz Sérgio Moro é mencionado nas simulações. Aliás, não é por acaso que Marina gostaria de ter Barbosa como seu parceiro de chapa. Outra constatação é a relevância que a pauta ética terá na narrativa de 2018, superando, quem sabe, até a economia. Vale registrar que na pesquisa divulgada ontem pelo Datafolha, a corrupção foi apontada por 22% dos entrevistados como o maior problema do país. Apenas 8% mencionou a economia;
  • Sem Lula na disputa, crescem as chances de Marina chegar ao segundo turno. Nesse cenário, há uma grande imprevisibilidade na disputa pelo segundo lugar, já que Bolsonaro, Barbosa, Ciro, Alckmin e Doria aparecem tecnicamente empatados nos cenários;

Veja abaixo as tabelas com as principais simulações

LULA CONTRA BOLSONARO OU MARINA; PSDB ENCONTRA DIFICULDADES:

Nos dois primeiros cenários testados pelo Datafolha, Lula aparece com praticamente o dobro das intenções de voto do segundo colocado. A vice-liderança é dividida por Bolsonaro e Marina. As opções do PSDB mencionadas (Alckmin e Doria) tem praticamente a mesma intenção de voto e estão atrás das alternativas do PSC e REDE.

JOAQUIM BARBOSA APARECE BEM POSTADO, DIVIDINDO O SEGUNDO LUGAR COM MARINA E BOLSONARO:

Quando Joaquim Barbosa é incluído nas simulações (ver tabela abaixo), Lula também mantém a liderança. Porém, Barbosa aparece bem posicionado, aparecendo tecnicamente empatado com Marina e Bolsonaro no limite da margem de erro (dois pontos percentuais para mais ou para menos). Alckmin e Doria figuram numericamente atrás de Barbosa, Marina e Bolsonaro.

AUSÊNCIA DE LULA ABRE ESPAÇO PARA LIDERANÇA DE MARINA:

Caso Lula não seja candidato, quem se beneficia é Marina Silva, que assume a liderança da corrida eleitoral. Nesse hipotético cenário, há uma grande imprevisibilidade na disputa pelo segundo lugar, havendo um empate técnico entre Bolsonaro, Barbosa, Ciro e Alckmin. Nota-se que a ausência de Lula também beneficia Ciro, que registra mais intenção de voto que nas simulações em que seu nome aparece juntamente com o do ex-presidente.

COM HADDAD, PT PERDE COMPETITIVIDADE:

Com o candidato petista sendo o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o PT perde competitividade. Essa simulação é muito parecida com a anterior. Ou seja, Marina assume a liderança. Bolsonaro, Barbosa e Haddad disputam o segundo lugar.

MORO NA DISPUTA ENFRAQUECE O PSDB:

O grande prejudicado com a eventual entrada do juiz Sérgio Moro na corrida eleitoral é o PSDB, que nesse cenário representando pelo governador Geraldo Alckmin, cairia para o quinto lugar. Nessa simulação, Lula aparece novamente na liderança. Moro, Marina e Bolsonaro disputariam o segundo lugar.

SEGUNDO TURNO: LULA ESTÁ NA FRENTE, MAS NÃO HÁ FAVORITOS

Nas simulações de segundo turno, Lula venceria Geraldo Alckmin, João Doria e Jair Bolsonaro. Porém, empataria com Marina Silva e ficaria numericamente atrás de Sérgio Moro. As sondagens também mostram dificuldades para o PSDB no segundo turno. Mesmo com Doria de candidato, os tucanos seriam derrotados por Lula. Mesmo contra Ciro Gomes, havia um empate técnico.

Apesar de hoje vencer três dos cinco cenários em que seu nome é incluído, Lula não deve ser considerado o favorito da disputa pelos seguintes fatores:

  • É um nome mais conhecido que os demais e ocupa espaço privilegiado nos meios de comunicação por conta da politização que faz das investigações da Operação Lava Jato;
  • Sua rejeição é muito alta (46%). Esse índice negativo é muito superior ao dos demais candidatos, que varia de 20% a 35%;
  • A eleição de 2018 ocorrerá em meio a uma grande demanda por ética na política, o que poderá enfraquecer Lula em função das denúncias que pesam contra o ex-presidente

Claro que dado o desgaste do governo Michel Temer e do PSDB, Lula é um candidato competitivo. Porém, dada a imprevisibilidade do cenário, não é o favorito, principalmente se enfrentar algum “out-sider”.

Postagens relacionadas

Institutos de pesquisa confrontam os likes do Twitter de Bolsonaro

Institutos de pesquisa confrontam os likes do Twitter de Bolsonaro

Possível liberação do aborto de fetos com microcefalia pelo STF é criticada na CAS

Usamos cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Ao clicar em "Aceitar", você concorda com o uso de cookies. Saiba mais