Delação de Delcidio realimenta impeachment


Delcidio do Amaral é, sem dúvida, um dos senadores mais articulados do Congresso Nacional. Sempre teve amplo trânsito em todas as correntes. Sempre soube muito mais do que a média dos demais políticos da esfera federal.

O fato de que Delcidio buscou um acordo de delação premiada prenuncia um evento extraordinário de proporções dantescas. A leitura da matéria da IstoÉ é muito importante pelos seguintes pontos:

O senador revela que em três ocasiões a presidente Dilma Rousseff, no exercício do mandato, e o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tentaram interferir na Lava Jato;

O senador revela como, em 2008, Dilma Rousseff atuou de forma decisiva para que Nestor Cerveró fosse mantido na direção da Petrobras. Na ocasião, Cerveró perdeu o cargo de diretor Internacional por pressão do PMDB, mas Dilma conseguiu colocá-lo na Diretoria Financeira da BR Distribuidora;

Ele descreve aos membros da Lava-Jato uma operação de caixa dois na campanha de Dilma em 2010 feita pelo doleiro Adir Assad. Segundo Delcidio, o esquema seria descoberto pela CPI dos Bingos, mas o governo usou a base de apoio no Congresso para barrar a investigação dos parlamentares;

Delcídio afirma que Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria de Pasadena;

O senador conta aos procuradores que o ex-presidente Lula comandou o esquema do pagamento de uma mesada ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para tentar evitar sua delação premiada;

Um dos temas que “mais aflige” o ex-presidente Lula, segundo Delcídio, é a CPI do Carf. O colegiado apura a compra de MPs durante o governo do petista para favorecer montadoras e o envolvimento do seu filho, Luis Claudio, no esquema. Segundo o senador petista, “por várias vezes Lula solicitou a ele que agisse para evitar a convocação do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor”.

A consequência da delação de Delcidio é o enorme agravamento da situação política com amplos e potenciais riscos para a sobrevivência do governo e de muitos dos políticos do alto clero do país. As repercussões podem, inclusive, atingir a oposição também e autoridades do Poder Judiciário.

O drama que se seguirá é saber quem terá condições de liderar uma saída para o impasse. Bem como a reação das ruas ao agravamento da crise. Mesmo que a delação não tenha sido confirmada juridicamente, o estrago político é imenso.

O impeachment tinha perdido a força…

Na Câmara, o impeachment havia perdido força. Agora, ele ganha novo fôlego. Espera-se que nas próximas duas semanas o STF julgue os embargos apresentados por Eduardo Cunha. Em seguida, será feita a eleição para os membros do colegiado. A delação também poderá contribuir para que as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff, marcadas para o dia 13 de março, tenham adesão expressiva.

Na próxima semana, será instalada a CPI do Carf na Câmara. Muitos dos citados pelo senador na revista podem ser convocados. Além da comissão do impeachment, ela poderá se tornar palco de intenso embate entre governo e oposição.

Postagens relacionadas

Institutos de pesquisa confrontam os likes do Twitter de Bolsonaro

Institutos de pesquisa confrontam os likes do Twitter de Bolsonaro

Possível liberação do aborto de fetos com microcefalia pelo STF é criticada na CAS

Usamos cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Ao clicar em "Aceitar", você concorda com o uso de cookies. Saiba mais