A divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) trouxe alívio ao Palácio do Planalto. Em agosto, foram criadas 147,3 mil vagas formais, número inferior à expectativa do mercado, que projetava 182 mil, mas ainda acima do saldo de julho, quando foram abertas 129,8 mil vagas. O resultado reforça a percepção de que o mercado de trabalho segue resiliente, mesmo diante dos juros elevados e do ambiente político turbulento.
A tendência de queda no desemprego tem sido um trunfo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio às incertezas econômicas e ao embate com os Estados Unidos sobre tarifas. Para o governo, a manutenção da geração de postos de trabalho serve como argumento de que a economia “real” continua se expandindo, blindada em certa medida das disputas institucionais e das tensões internacionais.
Economistas avaliam que, apesar da desaceleração da atividade, a demanda interna permanece aquecida, sustentando contratações em setores como serviços e comércio. A construção civil também segue empregando, beneficiada pelo crédito imobiliário e pelos programas habitacionais.
Politicamente, o Planalto aposta nesses números para reforçar a narrativa de que a gestão Lula garante estabilidade social. O discurso é de que, mesmo com juros altos e pressões externas, a vida do trabalhador brasileiro está melhorando. Essa percepção tem peso significativo no eleitorado de baixa renda, tradicional base de apoio do presidente.
A criação de empregos também serve de contraponto às críticas da oposição sobre a condução da política fiscal e os riscos de instabilidade. Embora os números não tenham atingido as metas do mercado, a consistência da melhora no mercado de trabalho fortalece a expectativa de que Lula chegue a 2026 com a economia mais favorável, ampliando suas chances de reeleição.
Em resumo, a queda no desemprego e a continuidade da geração de vagas, ainda que moderada, funcionam como combustível político para o governo. O mercado de trabalho parece não sentir, ao menos por ora, os efeitos da turbulência política interna nem da questão tarifária norte-americana.


