Devido ao shutdown, anunciado na última quarta-feira (1º), os Estados Unidos devem perder cerca de 15 bilhões de dólares por semana — o equivalente a R$ 80,1 bilhões — até que se estabeleça um acordo entre democratas e republicanos. As informações são de um estudo da Goldman Sachs, divulgado pela Casa Branca.
O Goldman estima que os shutdowns do governo reduzem o Produto Interno Bruto (PIB) trimestral anualizado americano em aproximadamente 0,2 ponto percentual para cada semana em que a paralização se prolonga.
Além disso, as estimativas apontam que uma paralisação dos cargos públicos por um mês resultaria em 43 mil pessoas a mais desempregadas durante o período.
O estudo ainda reforça que o shutdown do governo americano leva a pausas e atrasos na coleta de dados econômicos. Isso tem implicações diretas para o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que precisará tomar sua próxima decisão sobre a taxa de juros — a ser realizada em outubro — com maior incerteza caso os dados não estiverem disponíveis.
A medida também traz implicações para a tomada de decisão das empresas, já que a incerteza tende a levar a menores investimentos e a uma maior volatilidade nos mercados financeiros.
O que é shutdown?
Os EUA sofrem desde o início de outubro com um shutdown, ou seja, uma paralisação do governo. Isso acontece quando os parlamentares não entram em acordo sobre as leis que definem o valor que o governo terá com gastos discricionários durante o próximo ano fiscal, que se inicia em 1º de outubro.
Dessa forma, vários departamentos federais deixam de funcionar até que um acordo seja estabelecido. Os principais efeitos da paralisação são o aumento da taxa de desemprego e também os impactos econômicos de uma pausa de órgãos públicos forçada.
Os serviços considerados essenciais, como saúde e segurança pública, não têm seus serviços afetados, e seguem com o funcionamento normal. Em contrapartida, algumas agências elaboraram planos de contingência que especificam quais trabalhadores e serviços permanecerão em atividade durante a paralisação.
Como visto nesta matéria do O Brasilianista, outro setor que poderá sofrer com os efeitos do shutdown é o da aviação, devido a problemas nos voos das companhias aéreas dos EUA. As bolsas de valores e o mercado de câmbio também podem ser afetados.
Vale lembrar que esta não é a primeira vez que os EUA passam por um shutdown. Essa é a 15ª paralisação desde 1981, segundo o g1. O último também aconteceu durante o governo de Donald Trump.
O que levou os EUA ao shutdown?
Desta vez, os parlamentares não aprovaram nenhuma das 12 leis que definem o novo orçamento fiscal. Até o dia 30 de setembro, não havia acordo entre os republicanos e democratas. No entanto, os democratas já indicaram que não pretendem aprovar o plano sem modificações no texto.
É avaliada a distribuição de US$ 1,7 trilhão — cerca de R$ 9 trilhões na cotação atual do dólar — em gastos discricionários (ou seja, não essenciais) que mantêm as operações das agências. O valor, ainda segundo o g1, representa quase um quarto do orçamento total previsto para o próximo ano fiscal, de US$ 7 trilhões — ou cerca de R$ 37 trilhões.
Não é a primeira vez que um “shutdown” acontece no governo de Donald Trump. Em seu primeiro mandato, o governo americano ficou 35 dias paralisado, cenário que resultou em um prejuízo de US$ 3 bilhões na economia do país.
O estudo da Goldman indica que, historicamente, a economia da região de Washington, D.C. sofreu uma contração significativamente maior do que outras regiões, com uma redução de 5% nos gastos pessoais de consumo (PCE) durante o shutdown de 2013.

