O iFood informou nesta quarta-feira (03) que houve um vazamento de dados de cerca de 2% da sua base de dados, em 2025, o que causou certa repercussão relacionada à reputação da companhia. Até o momento, no entanto, a empresa é uma das principais de delivery do Brasil e da América Latina.
O vazamento não envolveu senhas ou credenciais de acesso às contas da plataforma, mas divulgou nomes e CPF de cerca de 1,2 milhão de usuários.
Em nota, o iFood alega que, após sucessivas análises, foi identificado que o material disponibilizado na internet se refere a um incidente isolado, ocorrido em dezembro de 2025, e que foi “rapidamente neutralizado pelos protocolos de segurança”.
Apesar do abalo de leve na marca, a empresa se consolida cada vez mais como uma das empresas líderes de delivery no país.
iFood “sustenta” dono
A Prosus, empresa holandesa, é a dona do iFood, bem como da Decolar, OLX e Sympla. Nos resultados financeiros de 2026 da controladora, o aplicativo de delivery se mostra como um dos pilares mais relevantes da companhia, especialmente no Brasil e América Latina.
Apenas no primeiro semestre do ano, a receita do iFood subiu 35% comparado ao mesmo período do ano passado, acumulando um total de R$ 4,91 bilhões em faturamento conjunto entre delivery e novas iniciativas.
O iFood também se mostra em uma constante crescente desde 2023. Apenas nas entregas, a companhia garantiu um faturamento de R$ 1,7 bilhões em cada trimestre de 2026.
Forte investimento em marketing
A companhia possui uma área específica para anúncios e marketing, criada em 2021, chamada Ads. Além do orçamento comum ao setor publicitário do iFood, no ano passado, a empresa adquiriu a Advolve, empresa brasileira especializada em inteligência artificial aplicada ao marketing de performance, com o objetivo de acelerar e otimizar as soluções oferecidas pela frente de Ads.
Com a capacidade da startup em gerar, analisar, refazer e redistribuir milhares de peças de marketing, inclusive em canais externos, o iFood se tornará uma conexão ainda mais eficiente e completa na relação entre empresas e usuários. A companhia projeta que a vertical de Ads, que também engloba soluções de marketing para restaurantes, cresça cinco vezes até 2030.
Vale lembrar que o iFood atende 60 milhões de usuários por mês em 1500 cidades do país. São inúmeras ações ao longo do ano, dentro e fora do app.
Relação com entregadores
Os entregadores do iFood não trabalham sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A própria empresa destaca que as delimitações do CLT não cabem nas especificidades necessárias para os trabalhadores do iFood, que precisam de maior flexibilidade para realizar as entregas.
Já surgiram diversos projetos de lei que tentaram discutir a demanda desses trabalhadores. A pauta é extensa: melhores pagamentos, direitos trabalhistas e até mesmo previdenciários. Propostas recentes trouxeram avanços significativos para o debate de futuro do trabalho, mas o principal desafio do setor é o regime de previdência.
Em recente decisão da Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), foi determinado que empresas de delivery online, como o iFood, não devem responder por débitos trabalhistas de um entregador vinculado a uma empresa intermediária. Por unanimidade, o colegiado manteve o entendimento de que a relação entre a plataforma e a empresa prestadora de serviços tem natureza comercial, e não de terceirização de mão de obra.

